Câmara da Nazaré vai duplicar o número de dias de limpeza anual dos coletores de esgotos para evitar o acumulo de areia que pode provocar entupimentos e escorrências de efluentes para o mar, como aconteceu no domingo.
A câmara “tomou a decisão de alargar por mais 10 dias o contrato anual de limpeza de coletores”, foi hoje anunciado na reunião do executivo, na qual o vice-presidente, Miguel Sousinha, reiterou que o escorrimento de efluentes detetado no domingo, na zona do Porto da Nazaré, foi causado por “um entupimento resultante do acumular de grandes quantidades de areia”.
A descarga, denunciada por um popular nas redes sociais e confirmada à agência Lusa pelo vice-presidente, foi hoje debatida na reunião do executivo, com técnicos dos serviços municipalizados a garantirem ter sido realizada, na segunda-feira de manhã “a limpeza desse troço de coletor, entre o fim do paredão [da marginal da Nazaré] e a estação elevatória [do lado sul da vila], de onde foram removidas cerca de quatro toneladas de areia”.
Uma situação, segundo os técnicos, verificada noutros pontos do sistema de esgotos da Nazaré, “um sistema unitário”, com condutas separadas para águas residuais e águas pluviais que “comunicam uma com a outra através de caixas mistas”, onde o acumular de areias pode resultar em entupimentos que provoquem descargas diretamente no mar.
A descarga verificada no domingo aconteceu nos últimos dias da empreitada anual de limpeza dos coletores, contratada a uma empresa externa, por um período de 10 dias.
“Claramente, face à quantidade de areias que está na rede de drenagem, esses 10 dias inicialmente contratualizados não são suficientes”, pelo que a autarquia deliberou duplicar por mais 10 dias o recurso a um camião de limpezas industriais, com sistema de aspiração das condutas.
Miguel Sousinha reiterou na reunião que a escorrência de domingo foi “uma situação pontual, extraordinária”, refutando a informação prestada pelo munícipe, que a denunciou através da vereadora do Chega. Lúcia Loureiro leu ao executivo uma declaração deste popular, reafirmando a “convicção” de que, “há pelo menos cerca de dois meses, foram visíveis sinais evidentes de descargas e sentidos odores nauseabundos que não passaram despercebidos a residentes, pescadores, comerciantes e visitantes”.
“Não temos qualquer indicador, pelos caudais que entraram na estação elevatória, que são monitorizados ao segundo, e pelo normal funcionamento do sistema, de que estivesse a acontecer qualquer problema naquela zona”, afirmou Miguel Sousinha, lamentando que, “se alguém tiver tido conhecimento de que tal estava a acontecer há mais tempo, não tenha alertado os serviços, cujo piquete está disponível para atuar 24 horas, sete dias por semana”.
O vice-presidente da autarquia, e presidente do conselho de administração dos Serviços Municipalizados da Nazaré, afirmou ainda que a correção definitiva destas situações obrigada a uma renovação integral da rede de esgotos, com um custo estimado de 50 milhões de euros.
“Temos consciência que não vamos resolver os problemas todos, nem em quatro, nem em oito, nem em 10 anos. É impossível”, disse o vereador, deixando o compromisso de, em alternativa, o município efetuar “um conjunto de investimentos novos e reabilitar entre 2,5% a 5% da rede de saneamento por ano”.
De acordo com o mesmo responsável, a descarga verificada no domingo não teve qualquer relação com as duas descargas de efluentes que levaram à interdição da praia da Nazaré a banhos, em agosto do ano passado, e que levaram mais de uma centena de pessoas a serem assistidas devido à contaminação da água.
Em março deste ano, o município avançou com um intervenção de substituição de condutas de saneamento na parte norte da marginal e na zona mais antiga da vila, para evitar a repetição de entupimentos na rede envelhecida e sujeita a forte pressão, sobretudo em períodos de maior afluência.












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