A associação Mais Pinhal exige a suspensão imediata das operações de gestão florestal em curso no Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, estando a promover uma petição para levar ao parlamento e que permita travar os cortes rasos.
A petição promovida pela associação, hoje com 5.697 assinaturas, pretende convencer o parlamento a suspender as operações no Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, após repetidas falhas no compromisso de aí se evitarem cortes rasos.
Perante novos talhões de terreno onde “o arvoredo foi cortado na totalidade”, a Mais Pinhal exige “a suspensão imediata das operações de gestão florestal em curso, baseadas no corte raso”, e “a abertura de um processo de investigação independente para apurar eventuais ilicitudes na elaboração e aprovação do plano” – até porque fiscalizações anteriores, na sequência de forte contestação popular, foram conduzidas pelo próprio Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), que é parte envolvida na gestão dessa floresta.
No documento disponível na plataforma ‘online’ “Petição Pública”, o grupo acrescenta querer ainda a formulação de um novo plano “que garanta a proteção efetiva da floresta, respeitando os princípios da sustentabilidade e do interesse público”, e no qual haja “um processo participado de discussão pública, envolvendo cidadãos, especialistas, associações, etc.”.
A petição alerta para a “progressiva degradação” daquela que o grupo de conservação da natureza considera “uma das obras mais notáveis de engenharia florestal em Portugal” e enumera alguns dos fatores para têm contribuído para essa situação: “os cortes rasos de pinhal e restante vegetação autóctone; as operações florestais com utilização de maquinaria pesada, que é inadequada e compromete a integridade dos solos dunares essenciais à proteção costeira; o não acompanhamento das áreas de pinhal sujeitas a corte, levando a que muitas delas deem lugar a acaciais densos; e a desanexação de áreas florestais para outros fins” – como os industriais.
O documento realça ainda que “os lucros obtidos pela venda de madeira e resina são direcionados para as autarquias e para o ICNF” e alerta: “Não é apresentado um relatório de contas que descreva onde este dinheiro é gasto”.
A Mais Pinhal reclama, por isso, “transparência financeira” e quer que o parlamento obrigue a um “investimento na floresta proporcional aos lucros por ela criados, no sentido da sua manutenção e valorização”.
O Plano de Gestão para o Perímetro Florestal das Dunas de Ovar prevê, até 2038, o corte de cerca de 363 hectares de pinhal, área equivalente a cerca de 500 campos de futebol. Segundo a associação ecologista, o próprio documento estipula que, “para aumentar a resistência a pragas e incêndios, deveriam ser realizados cortes em pequenas áreas, distribuídos ao longo de toda a floresta”, mas aquilo a que se vem assistindo “é o corte raso contínuo de áreas extensas”.
Além disso, o plano vigente “nada prevê relativamente à diversificação das espécies de árvores presentes, que seria um fator importante para aumentar a resistência e a resiliência da floresta, nomeadamente a pragas e incêndios”, nem apresenta um plano detalhado das operações a desenvolver para regeneração natural do pinhal – sendo também omisso quanto aos recursos a afetar “para o controlo eficaz das espécies invasoras que estão a substituir a vegetação autóctone”.












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