Leiria

Mau tempo: Fundação Jerónimo Martins vai gastar 20 milhões em instituições e habitações de Leiria, Ourém e Marinha Grande

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A Fundação Jerónimo Martins vai gastar 20 milhões de euros na recuperação de instituições e habitações de Leiria, Marinha Grande e Ourém, concelhos gravemente afetados pela depressão Kristin, em 28 de janeiro.

“Estimamos que as intervenções abrangidas por este programa sejam de 20 milhões de euros, montante totalmente disponibilizado neste projeto filantrópico de grande escala e, provavelmente, sem precedentes na memória coletiva”, afirmou hoje o diretor executivo da Fundação, Miguel Herdade.

No Centro Social Paroquial de Regueira de Pontes (Leiria), com prejuízos na ordem dos 500 mil euros devido ao mau tempo e uma das instituições a beneficiar deste programa, Miguel Herdade referiu que as primeiras obras no âmbito desta iniciativa arrancam na segunda-feira, uma em cada um dos três concelhos.

“Este é um projeto de uma complexidade enorme, equipamentos que vão ter obras curtas e outros de grande complexidade, que poderão estender-se por mais de um ano”, declarou este responsável, garantindo que o objetivo é “celeridade dentro da segurança, qualidade técnica e conforto” que se quer dar aos beneficiários.

Segundo Miguel Herdade, logo após a depressão Kristin, a Fundação foi para o terreno e notou que muitos trabalhadores do Grupo Jerónimo Martins (dono das lojas Pingo e Recheio) precisavam de apoio.

“Nos primeiros sete dias depois da tempestade, a Fundação fez chegar mais de três milhões de euros a cerca de 250 colaboradores do grupo que estavam a precisar de apoio imediato”, realçou, além de ter sido disponibilizado um milhão de euros à Estrutura de Missão para a Recuperação da Região Centro.

O programa hoje anunciado é o “alargamento deste trabalho”, observou.

“Nós conhecíamos o terreno e conhecíamos as enormes dificuldades que as pessoas passavam. E, por conhecermos a dimensão extrema dos estragos e as dificuldades muito complexas e de grande vulnerabilidade que eram sentidas, decidimos então alargar este apoio às comunidades”, justificou o diretor executivo.

Em abril e maio, em estreita colaboração com os municípios de Leiria, Marinha Grande e Ourém, e com a Estrutura de Missão, foi feito “um levantamento social muito profundo, técnico e rigoroso”, tendo sido visitadas 35 freguesias e mais de 140 instituições privadas, além da consulta a diversas entidades, como a Cáritas ou a Fundação Gulbenkian.

Feito o levantamento, a Fundação está “disponível para a reconstrução de creches, lares, equipamentos para pessoas com deficiência, habitações de famílias” que tenham sido sinalizadas e validadas, “e bombeiros e forças de segurança no que necessitem”.

“Foi estabelecida como prioridade inicial as creches e lares”, afirmou Miguel Herdade, frisando que “a prioridade e validação é feita em estreita articulação” com as autarquias e Estrutura de Missão.

Este responsável explicou que o “programa envolve mais de 100 instituições e equipamentos” e “existem também mais de 140 habitações de famílias que foram sinalizadas a precisar de obras de construção e para as quais a Fundação está disposta a apoiar”.

“No total, estimamos que este programa abranja mais de 12 mil pessoas”, adiantou, observando que várias equipas vão estar dedicadas a este trabalho.

Na sessão, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, referiu que este é o primeiro PTRR “filantropo e privado do país”, numa alusão ao programa do Governo Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, elogiou a “capacidade financeira e de rapidez em resolver o problema imediato das pessoas” e desejou que esta “constitua uma boa prática” para outras fundações.

Já o presidente do Município da Marinha Grande, Paulo Vicente, destacou a “dimensão humana” dos técnicos da Fundação, reconhecendo ser obrigação da autarquia colaborar com aquela que está “a minorar o sofrimento” das populações.

Por seu turno, o presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, admitiu que o “único fator positivo” da tragédia de 28 de janeiro foi a solidariedade e união da população do concelho, mas também de autarquias, instituições e cidadãos anónimos de todo o país, agradecendo a ajuda da Fundação.

O coordenador da Estrutura de Missão, Paulo Fernandes, declarou que “as instituições não valem por si, mas na medida em que servem pessoas, comunidades”, valorizando o que designou de um dos “maiores programas de sempre da filantropia”.

A Fundação Jerónimo Martins, criada em setembro de 2024 para mitigar vulnerabilidades na educação, saúde, proteção social e emergência, atribuiu o ano passado 10 milhões de euros.

A sua presidente, Marta Lopes Maia, acrescentou que se trata de uma “parceria inédita” entre sociedade civil, iniciativa privada e poder público, e disse acreditar que “vai mudar a vida e transformar a vida de muitas das pessoas que continuam a ter muitas dificuldades nesta região”.

Notícias do Centro | Lusa

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