Leiria

Exposição em Porto de Mós homenageia primeira mulher juíza em Portugal

0

 Uma exposição que homenageia a primeira mulher juíza em Portugal, Ruth Garcez, é inaugurada no dia 29, no Tribunal de Porto de Mós, vila onde a magistrada judicial fixou residência e morreu há duas décadas.

“O pontapé de partida, falando em linguagem futebolística, é, de facto, prestar um tributo à primeira mulher a tornar-se juíza em Portugal”, afirmou à agência Lusa a organizadora da iniciativa, a magistrada judicial Ana Lídia de Oliveira Cadete.

Segundo a juíza, Ruth Garcez foi uma “figura incontornável”.

“Conforme ela dizia, exercia, e muito bem, o seu direito à exuberância, era muito próxima das comunidades locais e também com objetivos que ela apelidava de um sonho da justiça universal”, declarou Ana Lídia de Oliveira Cadete.

Por outro lado, a mostra visa enaltecer o trabalho dos oficiais de justiça, considerando ser “importante dar voz a esta classe profissional” e reconhecendo quem “ainda está e inspirando aqueles que querem vir para esta carreira”, adiantou a juíza titular do Juízo Criminal de Porto de Mós.

Ana Lídia de Oliveira Cadete acrescentou que o projeto nasceu no âmbito do mestrado de Mediação Intercultural e Intervenção Social, que está a fazer no Politécnico de Leiria, para “dar voz aos símbolos identitários das comunidades do Porto Mós, da Batalha e de Leiria, onde se insere este Tribunal de Porto Mós”.

Intitulada “Retratos de um Tribunal”, a exposição, que será permanente nos corredores do piso superior do edifício, pretende “retratar a vida de um tribunal”, e o percurso profissional de Ruth Garcez, mas também “os seus sonhos, envolvimento na comunidade local e na comunidade internacional, inclusivamente a sua atividade no fado, na poesia”, referiu a autora e organizadora do projeto.

Por outro lado, vai retratar a vida de quem trabalhou no Tribunal, exibindo “documentos, fotografias e outros artigos de natureza pessoal”, assim como “a transferência de competências a nível de matérias daquele tribunal para outros”, explicou a juíza.

A inauguração, na tarde do dia 29, decorre numa sessão solene que abre com um momento musical protagonizado por um jovem professor e músico que foi adotado no âmbito de um processo no Tribunal de Porto de Mós (distrito de Leiria).

A iniciativa conta com vários oradores, incluindo Paula Rute Pereira Garcez Nunes Correia, filha de Ruth Garcez, a exibição do filme “Retratos de um Tribunal: testemunhos e encontros” e a apresentação deste projeto.

Nascida em 1934, na cidade de Lourenço Marques (atual Maputo, capital de Moçambique), Ruth Garcez foi a primeira mulher a ingressar na carreira de magistratura, depois de se ter licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1956.

Em 1977, a magistrada ingressou na carreira de juiz de Direito, seguindo depois para o Tribunal da Relação de Lisboa, onde foi também a primeira juíza desembargadora do país, em 1993.

Criou, em Porto de Mós, em 1991, a Associação Portuguesa de Mulheres Juízes.

Condecorada em 2005 por Jorge Sampaio, à data Presidente da República, Ruth Garcez jubilou-se nesse ano e fixou em definitivo a sua residência na vila de Porto de Mós, onde morreu em 10 de junho de 2006.

Notícias do Centro | Lusa

Suspeita de chantagem sexual condenada a prisão suspensa no Tribunal de Aveiro

Notícia anterior

Associação quer travar no parlamento cortes rasos ao pinhal de Ovar

Próxima notícia

Também pode gostar

Comentários

Comentários estão fechados

Mais em Leiria