A Biblioteca de São João da Madeira, encerrada entre janeiro e fevereiro devido a estragos provocados pelo mau tempo, deverá em maio ser temporariamente transferida, com 44.000 livros, para uma loja de roupa desativada no centro da cidade.
A transferência desse equipamento cultural do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto visa libertar a biblioteca original para obras de requalificação previstas antes das intempéries e foi divulgada à Lusa pela concelhia do PS, que defende que a decisão do executivo municipal liderado pelo PSD não deveria ser tomada sem conhecimento prévio dos custos de arrendamento do antigo estabelecimento comercial, cuja área é de 500 metros quadrados.
Questionado pela Lusa, o presidente da autarquia, João Oliveira, confirmou que “neste momento não é possível adiantar o valor” dos custos de transferência do serviço para a antiga loja Malisan, na Avenida Renato Araújo, mas previu que esse espaço comercial seja necessário por dois anos, que é o prazo estimado para a “realização de obras profundas” no imóvel da Rua Alão de Morais.
“Para que a empreitada de requalificação da biblioteca possa ser concretizada, é necessário encontrar um espaço alternativo para que o serviço continue a funcionar, com o menor transtorno possível para os utentes”, afirmou o presidente da Câmara Municipal.
“As antigas instalações da loja Malisan cumprem esse objetivo, pois são mais próximas do edifício da biblioteca e localizam-se numa zona com boa acessibilidade, além de assegurarem a funcionalidade e tranquilidade exigidas para dar resposta a quem procura esta oferta cultural”, realçou.
O presidente do PS de São João da Madeira, Leonardo Martins, lembrou que o anterior executivo, liderado pelo seu partido, já tinha projeto de requalificação para a biblioteca, mas propunha como localização alternativa durante a empreitada a Torre da Oliva, que, junto ao Museu da Chapelaria, é um espaço “central e amplo, com estacionamento gratuito”. A solução, acrescentou, “permitiria assegurar o serviço sem encargos adicionais para o município”.
Face à opção da atual liderança social-democrata, o líder concelhio dos socialistas declarou: “Perante o arrendamento de um espaço comercial privado, o PS considera essencial esclarecer os termos do acordo, nomeadamente o valor da renda, a duração do contrato, as eventuais obras de adaptação e a responsabilidade pelos respetivos custos. O interesse público exige total transparência numa decisão desta natureza, sobretudo quando existia uma solução com recurso a um equipamento municipal.”
João Oliveira não abordou despesas, mas justificou porque deixou de parte a Torre da Oliva, com os seus quatro pisos: “Aí funcionam outros serviços, entre os quais o Museu do Calçado e o ‘Welcome Center’ do Turismo Industrial, cujas visitas, designadamente por parte de grupos, são frequentes e implicam uma agitação que poderia ter implicações na desejável tranquilidade de um serviço de biblioteca.”
O autarca notou ainda que na Torre da Oliva também há salas cedidas gratuitamente a entidades externas ou alugadas para eventos de terceiros, pelo que a instalação da biblioteca nesse local implicaria, ao longo de dois anos, “uma perda em termos de atratividade para a cidade e de receita para o município”.
Para Leonardo Martins, contudo, essa argumentação “não é válida nesta altura”, porque, além de haver locais alternativos no concelho para os eventos já agendados para a Torre da Oliva, ainda não se sabe “quanto custará aos sanjoanenses esta solução da Malisan”, para haver um comparativo realista de custos.
Na sua nova localização, a Biblioteca Municipal de São João da Madeira vai disponibilizar cerca de 44.000 documentos, “na sua maioria livros”, e também outros serviços antes disponíveis no edifício original, como a consulta da imprensa diária e reprodução documental.
Outros 20.000 títulos à guarda do imóvel da Rua Alão de Morais serão transferidos para os Paços da Cultura, onde poderão ser consultados apenas mediante requisição prévia.
A Biblioteca Municipal de São João da Madeira integra a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, que, questionada a propósito desta relocalização de serviços, não comentou o assunto.













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