A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC) vai pedir ao Governo que avance com a elaboração de projetos de execução da expansão do metrobus na ligação a Condeixa-a-Nova e Cantanhede e Mealhada.
A decisão foi aprovada no Conselho Intermunicipal que decorreu na terça-feira, em Arganil, depois de uma reunião que a CIMRC teve com o Ministério das Infraestruturas no início deste mês.
Durante o Conselho Intermunicipal de terça-feira, a presidente da CIMRC, Helena Teodósio, afirmou que nessa reunião, na qual foi debatido o dossiê do metrobus (autocarros elétricos em via dedicada), a Região de Coimbra defendeu a necessidade de se avançar com projetos de expansão da rede, que atualmente serve Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo (e cuja primeira fase deverá ficar concluída no início de 2027).
A responsável recordou que, ao contrário de outras cidades e regiões que pretendem implementar este sistema, a Região de Coimbra já realizou estudos de viabilidade económico-financeira para expansões, com a ligação a Condeixa-a-Nova e Cantanhede e Mealhada a apresentarem os melhores resultados.
“Iremos continuar a lutar nesse sentido. É fundamental este tipo de investimento para a região, mas temos de ver se não há aqui nenhuma situação que venha a atrasar este processo para se dar alguma prioridade a locais que ainda nem começaram com a ideia ou sequer um primeiro projeto”, disse Helena Teodósio.
Aquando da votação da proposta, o secretário-executivo da CIMRC, Jorge Brito, deu nota de que, na reunião com o ministro das Infraestruturas, a Região de Coimbra recebeu “um nim”, justificando-se com intenções de implementação do metrobus em Aveiro, Leiria ou Braga.
“Nós fizemos um trabalho atempado, com recursos próprios, para analisar a viabilidade [das expansões]. O que se solicita é o arranque para a elaboração de projeto” para as expansões consideradas viáveis, vincou Jorge Brito.
Em 2022, um estudo encomendado pela CIMRC para a expansão do metrobus concluiu que as ligações a Cantanhede e Condeixa-a-Nova eram aquelas que reuniam mais condições para serem implementadas.
O estudo realizado pelo consórcio OPT e Oval, a que a agência Lusa teve acesso na altura, analisou possíveis extensões do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), avaliando ligações a Cantanhede, Mealhada, Condeixa-a-Nova, Arganil, Góis e Penela, calculando custos, receitas, assim como a procura e impacto que cada linha poderia ter no distrito.
No caso da ligação a Cantanhede, o estudo aponta também para uma ligação à Mealhada, aproveitando parte do antigo canal ferroviário do Ramal da Figueira da Foz, via Pampilhosa.
Caso se assegure a ligação entre Cantanhede e Mealhada, será possível ligar Coimbra-B àquele concelho do distrito de Aveiro por metrobus, mas a viagem irá sempre demorar 50 minutos, com transbordo em Cantanhede, algo que nunca poderá competir com uma ligação direta através de ferrovia, notava o estudo.
A ligação entre Coimbra e Cantanhede teria uma extensão de 25,9 quilómetros, terminando na Zona Industrial de Cantanhede, sendo um traçado que acompanha, de um modo geral, as estradas nacionais 111-1 e 234-1, referia o estudo, apontando para uma viagem de 27 minutos entre o centro daquela cidade e Coimbra-B.
Já na ligação para Condeixa-a-Nova (com uma duração estimada de 27 minutos), o estudo propunha uma travessia do Mondego através de uma nova ponte, servindo, ainda no concelho de Coimbra, o Fórum, a Escola Superior Agrária, o Hospital dos Covões, o Iparque e Cernache, entre outros locais, numa extensão de 17 quilómetros até ao concelho vizinho.
O estudo apontava para uma procura de cerca de 4.000 passageiros por dia na ligação a Condeixa-a-Nova e de 1.350 passageiros por dia na ligação a Cantanhede.
Quer uma, quer outra linha, apresentavam também potencial de expansão, seja a sul indo para Soure ou Penela, quer a norte, com um prolongamento para Anadia, referia o estudo.












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