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Projeto-piloto de apoio psiquiátrico segue mais de 200 doentes na região de Viseu

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A Equipa Comunitária de Saúde Mental Dão Lafões (ECSM-DL) nasceu em 2021 com 32 doentes e pelo grupo de sete profissionais já passaram 230 pessoas que, mais do que consultas e medicamentos, têm apoio domiciliário e transversal.

“Temos consultas individuais da especialidade, visitas domiciliárias gerais de acompanhamento dos utentes e administração terapêutica antipsicótica nos doentes que têm quadros psiquiátricos graves, além de psicoterapia e intervenções de grupo”, descreveu o coordenador daquela equipa.

Hugo Afonso contou à agência Lusa que a equipa que coordena é composta por sete profissionais, ele enquanto médico psiquiatra, dois enfermeiros, um psicólogo, uma assistente social, uma terapeuta ocupacional e uma assistente técnica para o trabalho administrativo.

“A nossa intervenção acaba por ser mais próxima do utente, porque, além de estarmos no centro de saúde, evita-se deslocações ao hospital. E como somos uma equipa com profissionais diferentes, acabamos por dar um apoio mais completo”, referiu.

Segundo o médico, o projeto-piloto começou “oficialmente em fevereiro de 2021 e, nessa altura, acompanhava 32 utentes” referenciados pelos médicos de família e pelo coordenador do grupo.

Ao longo do tempo, o número subiu para 230.

“Pelo meio, 42 tiveram alta e outros foram contextualizados em outras equipas como a ASSOL [Associação de Solidariedade Social de Lafões], por exemplo, em São Pedro do Sul, para onde vamos começar a expandir” os serviços.

A equipa tem sede em Castro Daire, “por uma questão de acessibilidade, é mais a norte do distrito, é uma zona onde os doentes são muito carenciados do ponto de vista socioeconómicos, com muitas dificuldades, e há muitas carências no transporte”.

Entre os elementos, “há um, o terapeuta de referência, que além de ser um mediador em diversas situações, faz uma gestão centralizada dos cuidados, das intervenções que têm de ser feitas e mediante isso o doente é encaminhado para o que mais se ajusta à situação”.

“Por exemplo, numa crise de um doente, o terapeuta de referência é contactado e avalia a situação e perante isso pode ser ajustada a medicação, pode ser feito um acompanhamento ao doente ou à família, evitando assim que o doente descompense mais ou tenha de ir à urgência” hospitalar.

Hugo Afonso reconheceu que, desde o início deste projeto, “há uma diminuição por parte dos doentes em deslocações à urgência, há cada vez menos descompensações na medicação e as consultas tornam-se até mais espaçadas e há ganhos relevantes” para o doente e família.

“Temos intervenção no domicílio de estimulação cognitiva para tentar atrasar ao máximo a evolução da doença, temos também relaxamento feito pelos enfermeiros e ainda temos um grupo psicoterapêutico que vai começar agora também”, enumerou.

O médico acrescentou que “há um trabalho muito importante” da equipa também na área social, “porque há doentes com uma carência económica muito grande e há inclusive doentes graves que vivem em situações que, em pleno século XXI, não seriam desejadas”.

“Fruto da doença, de todo o contexto social e familiar. E a nossa assistente social tem feito muito para conseguir fazer avanços e melhorar estas situações, mas não é fácil, há sempre dificuldades”, reconheceu.

Intervenções que seriam impossíveis “de fazer se o doente se deslocasse ao hospital para as consultas, porque o contexto familiar e social não seria conhecido, e desta forma, com a equipa no domicílio, trabalha-se toda a área do doente”.

“É um modelo de intervenção diferente do que é centrado no hospital, porque aqui o objetivo não é só tratar o contexto agudo, é também ajudar o doente a estabelecer-se e a funcionar em família e socialmente”, assumiu.

Entre as barreiras encontradas pela equipa, além do “isolamento geográfico e dificuldades de transporte, há também um estigma muito grande em relação às doenças mentais, o que pode prejudicar no avançar da doença e a sua recuperação depois”.

Uma barreira que esta equipa “ajuda a derrubar”, uma vez que “ninguém anda identificado, ninguém vê o doente a ir ao Hospital de Abraveses [Departamento de Psiquiatria], que tem logo uma grande conotação negativa por parte da sociedade”.

Uma barreira que, a par de outras, vai estar em debate na segunda-feira, Dia Internacional da Saúde Mental, a partir das 09:00, no auditório do Centro Municipal de Cultura de Castro Daire, num simpósio organizado pela ECSM-DL.

Entre as pessoas que a equipa tem acompanhado, estão “doentes entre os 18 e os 94 anos, em que a idade média são os 53 anos”.

Na sua “maioria, são mulheres, com uma percentagem de 63%”.

Notícias do Centro | Lusa

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