A TAPSi, plataforma TVDE criada por doutorandos da Universidade de Coimbra, assumiu uma operação apenas com veículos elétricos seis meses após o seu arranque, num projeto que procura também assegurar uma remuneração mais justa para os motoristas.
A plataforma, que começou a operação em dezembro de 2025, assumiu agora um “posicionamento 100% elétrico”, quando apenas 45% da frota ativa de TVDE em território nacional é elétrica, anunciou a TAPSi.
A operar por agora apenas em Coimbra, a plataforma conta com mais de cinco mil utilizadores registados e mais de 200 motoristas associados.
“Quer a Uber quer a Bolt têm afirmado alguma preocupação relativamente à migração para uma frota totalmente elétrica, mas a verdade é que ainda estão a uma distância bastante grande. Eu diria que esse é o nosso maior fator de diferenciação, ou, pelo menos, o mais evidente”, afirmou à agência Lusa o diretor executivo da startup sediada em Coimbra, Rui Nuno Castro.
Além dessa diferença face às grandes plataformas que dominam o mercado nacional, a TAPSi procura também assegurar uma relação próxima, transparente e de confiança com os motoristas e operadores de TVDE, permitindo também uma remuneração mais justa, disse.
“Assistimos diariamente a um ambiente de atrito crescente entre motoristas e operadores de TVDE e as plataformas. Nós propomo-nos a que a remuneração seja mais justa e equilibrada, porque nos preocupamos não apenas com a sustentabilidade ambiental, mas também com a sustentabilidade do setor. Se continuarmos todos na deriva de viagens a preços incomportáveis que põem em causa o modelo de negócio dos operadores e, por consequência, a subsistência dos motoristas, estaremos a pôr em causa a sustentabilidade do mercado”, vincou Rui Nuno Castro.
Nesse sentido, a TAPSi não se propõe a praticar os preços oferecidos pelas grandes plataformas, apelando à dimensão ética associada ao consumo.
“Achamos que, com este posicionamento, as pessoas tenham consciência que será um serviço diferenciado a diversos níveis e que isso contribuirá para que a remuneração dos motoristas seja mais equilibrada”, aclarou o responsável da empresa.
A startup, criada por doutorandos e investigadores da Universidade de Coimbra e incubada na inCoimbra StartUp HUB, terminou recentemente uma ronda de investimento, com a participação de um ‘family office’ (empresa que gere património e investimentos de uma família) sediado em Inglaterra, escusando-se a divulgar os valores.
Segundo Rui Nuno Castro, os primeiros meses de operação exclusivamente em Coimbra foram um piloto em que a cidade foi uma espécie de “laboratório vivo”, que permitiu afinar a tecnologia, detetar fragilidades e problemas, e estabilizar a plataforma.
“Este período de piloto acabou por viver muito da interação com os operadores e com os motoristas, com uma grande proximidade na relação”, notou.
Para breve estará o alargamento da operação a “novas cidades e geografias”, avançou o diretor executivo da TAPSi, referindo que essa expansão deverá acontecer, numa primeira fase, em cidades de média dimensão como Coimbra.
“Queremos consolidar a nossa operação e criar uma base que nos permita depois enfrentar com mais confiança o desafio de entrar em cidades de maior dimensão”.
Questionado sobre as dificuldades sentidas pela TAPSi nestes primeiros meses de atividade, Rui Nuno Castro notou que o maior desafio será angariar passageiros.
“É sempre um exercício de grande exigência o constante equilíbrio entre a procura e a oferta”.











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