O diretor-executivo do Grupo Lufthansa revelou hoje que a fábrica da marca em Santa Maria da Feira, cuja primeira pedra foi hoje lançada, já tem 300 pessoas em formação e deverá executar o seu primeiro serviço em 2028.
A informação de Carsten Spohr foi divulgada nessa cidade do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto em conferência de imprensa, antes da visita com o primeiro-ministro ao terreno de cerca de 230.000 metros quadrados onde a fábrica de 55.000 metros se dedicará à reparação e manutenção de componentes de aeronaves.
“Já contratámos 300 pessoas até agora”, disse o responsável do grupo, referindo que esses profissionais estão a receber formação especializada na Feira – em espaços ocupados para o efeito no Parque Empresarial de Recuperação de Materiais – e que o número total de recrutamentos deverá chegar aos 700 até 2030.
Quanto ao início da laboração, Carsten Spohr acredita que a construção da Lufthansa Technik ficará concluída rapidamente e adianta: “O primeiro produto a sair destas instalações, tratado por pessoas que treinámos, sairá da unidade em 2028”.
O investimento em causa é na ordem dos “300 milhões de euros”, mas o empresário alemão salienta que, mais importante do que o aspeto financeiro, é o “valor” do projeto global.
“É um compromisso com Portugal enquanto parceiro estratégico”, diz Carsten Spohr. “Somos o grupo de aviação número 1 na Europa, estamos no top mundial e agora olhamos para Portugal pelo seu potencial como um grande parceiro”, acrescenta.
O diretor da Lufthansa refere-se não apenas à unidade industrial em construção na Feira, mas também ao lançamento, hoje, da Help Alliance Portugal, que é a primeira organização de cariz social que o grupo lança fora da Alemanha, e ainda à eventual criação de uma escola de pilotos em território luso, hipótese já apoiada pelo Governo português – e que ficaria sob tutela da Força Aérea Alemã, embora também aberta à formação de profissionais de outros países aliados.
“A aviação é um dos setores em maior crescimento fora das tecnologias de informação”, realça Carsten Spohr, sobre a pertinência desse projeto de ensino para pilotos. Mas, a concretizar-se, a escola “não será em Lisboa” porque, se é verdade que um equipamento desses precisa de uma localização com boas condições climatéricas e isso não é problema em Portugal, onde há “bom tempo em todo o lado”, também é certo que uma estrutura destinada a formar pilotos exige “espaço para treinar”.
Com a sua aposta generalizada no extremo oeste da Europa, o objetivo do Grupo Lufthansa é melhorar a sua ligação ao outro lado do Atlântico e encurtar os voos dos seus passageiros: “Portugal é uma porta de entrada para o Brasil e, em termos geográficos, está perfeitamente localizado para os nossos planos de alargamento à América. Acreditamos muito no futuro do Brasil, da América Latina e na capacidade do Grupo Lufthansa para ter ‘hubs’ não apenas na Europa – também em África e em mercados próximos do europeu”.
Com 50 voos todos os dias a partir de Portugal, mais de 500 empregos nas várias empresas do grupo que operam no país e a adquirir “um avião por semana” apesar das atuais carências no fornecimento de aeronaves, Carsten Spohr aponta a eventual aquisição da TAP como mais um passo no sentido do reforço internacional da marca.
Afirmando que o Governo português tem a decorrer “um processo muito profissional para conseguir o parceiro certo” para a companhia área nacional, o diretor do Grupo Lufthansa declara: “Temos os meios financeiros para investir e podemos providenciar os passageiros. Estamos confiantes de que somos o melhor parceiro para a TAP, mas vamos respeitar a escolha do governo português e a decisão é dele”.











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