O vocalista dos Moonspell, Fernando Ribeiro, e o grupo de música medieval The Wandering Bard interpretam no sábado cantigas de escárnio e maldizer no Mosteiro da Batalha, distrito de Leiria, “num espetáculo satírico e provocador”, antecipou a organização.
O projeto, intitulado “Da esteyra vermelha cantarey”, funde a música medieval à estética moderna portuguesa, num formato semi-encenado que, segundo The Wandering Bard, “une a tradição trovadoresca à modernidade do século XXI”.
No Mosteiro da Batalha, a partir das 18:30 (com entrada livre), ao vocalista dos Moonspell e aos músicos Ricardo Alves Pereira, no ‘oud’, e Esin Yardimli Alves Pereira, na ‘vielle’, junta-se um percussionista convidado, Ruben Leonardi.
“É um espetáculo muito divertido, um espetáculo com ‘bolinha vermelha’. Estamos a falar de cantigas de escárnio e maldizer e têm muito vernáculo”, explicou à agência Lusa Fernando Ribeiro.
‘Da esteyra vermelha cantarey une “o passado à atualidade. Isso é o mais impressionante em todas em cantigas escritas há tantos séculos, algumas no século XII: ver que ainda se revestem de uma atualidade e de uma crítica social que se aplicam aos dias de hoje”, acrescentou o músico.
O projeto é descrito como “uma experiência fascinante, cultural e artisticamente falando”.
“É muito diferente do que faço com Moonspell, mas tem alguma ligação”, considerou Fernando Ribeiro, que aqui assume também “um papel provocador”, como o dos trovadores de antigamente.
O programa a apresentar no Mosteiro da Batalha inclui recolhas feitas pelos elementos de The Wandering Bard, onde se destacam algumas cantigas do tempo de D. Dinis.
São “as cantigas mais relevantes, incisivas e expressivas”, anunciou o grupo, que pretende “partilhar com o público tanto o riso como a comoção, num diálogo direto com os antepassados medievais das terras ibéricas”.
Além da componente lírica e musical, as cantigas são comentadas por Ricardo Alves Pereira, que desempenha o papel de anfitrião.
“Ele contextualiza o que é dito, como foi escrito, se é uma canção de escárnio, de maldizer, se é uma canção sexual, se é uma canção sobre um ‘serial killer’”, contou Fernando Ribeiro.
Durante o espetáculo, o cantor junta à palavra “um bocadinho de ‘acting’”, em interação com o público.
“Dependendo do contexto, tem de haver teatralidade, porque era a maneira como, na altura, as pessoas contavam histórias”.
Antigamente, recordou, estas cantigas eram “a única forma de as pessoas dizerem algumas verdades e fazerem crítica social”, algo de que “os portugueses sempre tiveram jeito”.
“Desde tempos imemoriais somos bastantes mordazes e interventivos quando nos predispomos a isso”.
Na Batalha, o líder dos Moonspell espera casa cheia e um ambiente que seja “uma mistura de música medieval e rock’n’roll”, até porque “nunca a música foi tão importante como agora, seja ela medieval, heavy metal ou hip hop”.
“A música tem essa importância, agora, de tirar as pessoas da atualidade, que está sufocante, cheia de guerra e pobreza”.
Depois, Fernando Ribeiro gostava de levar “Da esteyra vermelha cantarey” em itinerância.
“Faz todo o sentido, porque os trovadores também era eles próprios itinerantes na sua natureza musical”, concluiu.













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