A igreja paroquial de Cernache, no concelho de Coimbra, foi classificada como monumento de interesse público, atendendo ao seu “testemunho simbólico ou religioso” e à sua conceção arquitetónica, urbanística e paisagística.
De acordo com a portaria hoje publicada em Diário da República, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, que está inserida num amplo adro, “terá fundação duocentista, embora o templo atual resulte de diversas campanhas de obras posteriores, testemunhando a evolução histórica da vila”.
“O seu exterior revela, desde logo, duas épocas construtivas, a primeira dos séculos XIII-XIV, de clara feição medieval, e a segunda do século XVI, que lhe adossou o corpo da nave, com a sua fachada de linhas renascentistas”, explica-se no Diário da República, acrescentando-se que houve ainda uma terceira intervenção, no século XVIII.
No seu interior, há “um notável acervo de obras de arte”, de que são exemplo “as capelas e escultura em pedra da Renascença coimbrã, os azulejos de distintas cronologias que revestem as capelas laterais, a nave e a capela-mor, datando dos séculos XVII e XVIII, genericamente, provenientes das oficinas de Coimbra”.
Através da portaria sublinha-se também a existência de “um conjunto de pintura de evidente qualidade e o extraordinário baixo-relevo em alabastro de fatura inglesa, denominado Relevo de Nottingham, que terá vindo para Portugal com o séquito de D. Filipa de Lencastre”.
Está prevista uma zona especial de proteção (ZEP) que tem em consideração a implantação da igreja “em plataforma sobranceira à povoação, com amplas vistas sobre a envolvente urbano-rural, de características razoavelmente estabilizadas”.
Foi estabelecida uma área de sensibilidade arqueológica correspondente a toda a ZEP e, por isso, “o aparecimento de quaisquer vestígios arqueológicos durante a realização de obras determina a suspensão imediata dos trabalhos no local e a sua comunicação às autoridades competentes”.
Na portaria assinada pelo secretário de Estado da Cultura, indica-se que “devem ser mantidas as características preexistentes e assegurada a reabilitação” do edifício do Casal do Adro, nas traseiras da igreja e pertencente à Província Portuguesa da Companhia de Jesus.












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