Coimbra

Salão Brazil em Coimbra celebra centenário com baile e intervenção no espaço público

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O Salão Brazil, espaço de programação cultural em Coimbra, celebra, a 04 de julho, o centenário do seu edifício com o reavivar do tradicional Baile da Rosa e intervenção no espaço público, no Largo do Poço.

Os 100 anos do edifício que já foi uma padaria, um salão de jogos, uma pensão e uma loja de roupa, justificam um programa comemorativo que começa a 04 de julho, Dia da Cidade, afirmou hoje à agência Lusa José Miguel Pereira, diretor do Jazz ao Centro Clube, que gere o Salão Brazil.

Naquele dia, um dos pontos altos do programa será o regresso do tradicional Baile da Rosa, que irá acontecer na Praça do Comércio, com o grupo Telefonia a animar a noite, com um repertório “muito vasto” em torno da música ligeira portuguesa, afirmou José Miguel Pereira.

Este baile tradicional da Baixa de Coimbra é agora resgatado depois de ter sido interrompido na altura da pandemia, sendo feito em parceria com a Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), adiantou.

“Entendemos que era perfeito resgatar o baile enquanto sinónimo de vontade de fazer um convite amplo à cidade, numa festa iminentemente popular. Queremos que toda a gente venha – miúdos e graúdos – e que dancem”, salientou José Miguel Pereira.

Numa altura em que o próprio JACC desafiou a população para se repensar os futuros usos do Salão Brazil quando o edifício for requalificado, o programa de comemoração dá também sinal de um espaço que pretende envolver-se em projetos participativos e ajudar a intervir na zona onde se inscreve.

A 04 de julho, serão apresentados resultados da primeira oficina do Laboratório de Cidadania e Cocriação do Salão Brazil, iniciado em 2025 e que reúne cidadãos, comerciantes, vizinhos do edifício, investigadores e artistas, que irão testar soluções para tornar o Largo do Poço e o edifício mais acessíveis e acolhedores.

Naquele dia, será instalado um palco com rampa acessível no Largo do Poço, criado no âmbito do laboratório, assim como uma rampa de acesso ao rés-do-chão do edifício do Salão Brazil, a criação de uma casa de banho adaptada e ainda uma intervenção na fonte do largo, “com introdução de verde, mas mantendo uma ligação à água”, aclarou José Miguel Pereira.

As estruturas em madeira, numa iniciativa que contou com o acompanhamento dos serviços do município, pretendem dar um sinal de que o Salão Brazil “quer ir para a rua, quer ir além da reflexão e do pensamento que, muitas vezes, ficam em circuito fechado”, notou.

“Queremos fazer coisas e não ficar só a pensar nelas, queremos andar de [serra] tico-tico, de mãos na plaina e começar a atuar sobre o espaço, mas não o fazemos sozinhos”, vincou José Miguel Pereira, antevendo que o Largo do Poço, nos dias que antecedem o programa, irá ficar transformado num “estaleiro a céu aberto”.

No rés-do-chão, que foi uma loja até há pouco tempo, haverá uma exposição de letreiros resgatados e restaurados por Rafael Vieira e Liliana Marante, num programa que inclui ainda uma outra exposição, numa sala do primeiro andar, intitulada “Flores de Coimbra”, em homenagem a Carlos Costa, com peças em madeira trabalhadas por aquele homem, que residiu no Salão Brazil nos últimos anos da sua vida.

Visitas guiadas ao espaço, um concerto de jazz da vocalista portuguesa Sara Serpa com o pianista americano Matt Mitchell, a apresentação de “Corrupted Memories // Future Ruins”, que resultou de uma residência entre o produtor Caucenus e o videógrafo Zhang Qinzhe, assim como vários DJ sets são outras das propostas do programa para aquele dia.

Notícias do Centro | Lusa

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