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São João da Madeira: Museu da Chapelaria lança sábado nova visita virtual bilingue com mais conteúdos

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O Museu da Chapelaria, em São João da Madeira, lança no sábado a sua nova visita virtual gratuita e bilingue, que, após consulta por mais de 5.200 utilizadores desde fevereiro de 2021, apresenta agora “muito mais informação”.

O anúncio é feito pela diretora desse equipamento cultural do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, que atribui a mudança à necessidade de fazer corresponder os conteúdos digitais às últimas alterações efetuadas no próprio circuito expositivo do museu.

“A nova visita virtual tem agora muito mais informação, tal como o próprio museu”, declarou Tânia Reis à Lusa. “O visitante virtual consegue ver os mesmos conteúdos que estão disponíveis para quem visita o museu ‘in loco’ e ainda tem acesso a materiais extra, como notícias de jornal, fotografias e documentos do nosso centro de documentação, excertos do romance histórico ‘Unhas Negras’, vídeos sobre máquinas em funcionamento, testemunhos orais de antigos operários, etc.”.

Para demonstrar em que medida as mudanças foram significativas, durante algum tempo o ‘site’ do museu terá disponíveis ambas as versões da nova visita virtual, para os mais curiosos poderem comparar o modelo antigo com o atual.

“Esta opção valoriza a memória institucional do museu e permite que os visitantes acompanhem a evolução do discurso museológico e museográfico ao longo do tempo”, explicou Tânia Reis, defendendo que “o património também se constrói através das suas transformações” e que, nessa evolução, “nada se perde”.

A nova visita virtual foi financiada no âmbito de um projeto local mais alargado para “Digitalização de Património Cultural e Coleções em Rede”, que, com cerca de 180.000 euros disponíveis, também beneficiou o Museu do Calçado e incluiu igualmente a preservação de espólio industrial da antiga metalúrgica Oliva.

No caso concreto do Museu da Chapelaria, a nova ‘tour’ virtual inicia-se com a contextualização histórica da indústria do chapéu em São João da Madeira, abordando o seu papel determinante para o desenvolvimento económico e social do concelho. Prossegue então com a história da Empresa Industrial de Chapelaria, que esteve ativa enquanto unidade fabril de 1914 a 1995 e cujo edifício foi depois adquirido pela autarquia, que o adaptou a fins museológicos e nele instalou o equipamento que agora integra a Rede Portuguesa de Museus.

A visita virtual explora também as diferentes etapas do processo de fabrico do chapéu, focando-se no feltro como matéria-prima que mais deu reputação a São João da Madeira, mas analisando igualmente outros modelos desse acessório, inclusive os da Aliança Manufactora de Chapéus de Palha.

“A plataforma disponibiliza ainda informação aprofundada sobre as ferramentas e máquinas expostas, incluindo as suas marcas, países de origem e fábricas de chapelaria onde estiveram em funcionamento”, acrescenta Tânia Reis.

Qualquer que seja o conteúdo, o objetivo é sempre o mesmo: “Democratizar o acesso ao património cultural, porque as visitas virtuais permitem ultrapassar barreiras geográficas, físicas e temporais, chegando a públicos que, por diferentes motivos, não podem deslocar-se ao museu”.

Além disso, como salienta a diretora da casa, as visitas virtuais “constituem uma ferramenta educativa, de investigação e de promoção cultural, contribuindo para aumentar a visibilidade das coleções e reforçar a ligação entre as comunidades e o seu património”.

A disponibilização desses conteúdos agora também em inglês tem idêntica justificação: por um lado, torna possível que, “a partir de qualquer lugar do mundo, investigadores, estudantes, antigos trabalhadores da indústria, chapeleiros contemporâneos e todos os interessados possam descobrir e aprofundar o seu conhecimento sobre uma atividade que marcou profundamente a identidade de São João da Madeira” e uma era civilizacional; e, por outro, reflete “o crescente número de visitantes estrangeiros do Museu, a sua crescente projeção internacional e o fortalecimento das suas ligações à comunidade chapeleira mundial”.

Tânia Reis salienta, aliás, que, ao longo dos últimos anos, as exposições temporárias da casa têm permitido ”um trabalho continuado com artistas, ‘designers’ e chapeleiros contemporâneos de diversos países” e reconhece que, no desenvolvimento dessas parcerias e colaborações, a versão virtual do museu tem ajudado a afirmá-lo como “um espaço de encontro entre a história, o presente e o futuro da arte da chapelaria”.

Notícias do Centro | Lusa

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