Aveiro

Santa Maria da Feira: Comic Con chegou pelo Natal para dar alegria a uns e ensinar outros a lidar com venenos

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A 11.º Comic Con Portugal arrancou hoje em Santa Maria da Feira, recebendo entre as primeiras centenas de visitantes quem tenha o bilhete desde o Natal, quem se fantasie para alegrar outros e quem gostasse de lidar com venenos.

Mesmo quando se tratam de fantasias, essas são algumas das motivações a justificar a visita ao centro de congressos Europarque, que, no referido concelho do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, até domingo acolhe expositores, conferências, oficinas e várias experiências relacionadas com banda desenhada, cinema, videojogos e outros fenómenos da cultura pop.

“Sempre quis ir a uma Comic Con, mas achava sempre que era longe e caro demais”, conta o diretor comercial Jorge Silva à Lusa. O irmão Pedro resolveu-lhe o problema: comprou-lhe um ingresso diário como presente natalício, poupando nessa altura 10 euros face aos 40 do bilhete atual, e fez um brilharete na consoada. “Tenho um rico irmão”, admite Jorge com gosto. E a experiência desta manhã só não foi perfeita-perfeita porque o evento não tem tantas referências à saga “Star Wars” quanto Jorge gostaria e os preços da restauração no recinto pareceram-lhe “um assalto à mão armada”.

Também por isso, dezenas dos 3.000 estudantes da Feira que hoje e sexta-feira têm acesso gratuito ao evento acorreram ao ‘stand’ da Fanta para ter bebidas grátis e tentavam bebê-las à pressa antes de chegar à banda da Team7 E-Sports, onde queriam as mãos livres para, sob bolas de sabão, testar jogos de computador, simuladores de ‘racing’ e máquinas de basquetebol.

O diretor da marca, Diogo Silva, diz que chegou ao negócio do ‘gaming’ precisamente por causa de uma série de mangá e anime. “Apaixonei-me pelo ‘Dragon Ball’; foi o que me trouxe para este mundo”, revela. Na Comic Com, vai ter umas 40 a 50 pessoas a trabalhar e, mesmo que só uma pequena parte dos visitantes faça efetivas compras no ‘stand’, a presença no evento “vale sempre a pena” em termos de publicidade.

Mais receoso está Fábio Moreira, que coordena as vendas da loja Aniplay, sediada em Algés. “Só no fim de semana é que vamos perceber se a mudança de Matosinhos para a Feira vai compensar”, calcula. O comerciante não sabe ao certo quanto custou o aluguer do espaço no Europarque, mas garante que precisa vender “pelo menos 16.000 euros” para cobrir todas as despesas com a participação no evento.

Para isso há de contribuir uma gama de artigos que abrange desde cartas de Pokémon a 3 euros até esculturas de edições limitadas a 500. “Mas o que sai mais são estas figuras Prize, produzidas em massa”, explica, apontando para dezenas de caixas com personagens colecionáveis de anime, mangá, filmes e ‘gaming’ – que no Japão se vendem em máquinas de jogos e ‘arcade’, e no stand da Aniplay estão cobertas por uma fina rede de segurança, a impedir acesso direto ao produto.

Gustavo Carvalho e André Rocha, alunos do 7.º ano da Escola EB Fernando Pessoa, compraram cartas de Pokémon e estão eufóricos, o que só em parte se deve ao facto de esse colecionável exibir o Mega Lucario, personagem que “foi criada num ovo, libertou-se e agora derrota monstros”. A razão principal do seu entusiasmo é mesmo a presença na Comic Con, a expensas da autarquia: “Se não fosse assim, com bilhetes de criança a 20 euros a minha mãe nunca me trazia”, assegura Gustavo.

Quem já há muito não precisa de licença dos pais é André Pinto, que se destaca na multidão com uma peruca turquesa e um fato preto brilhante debruado no mesmo tom de azul, em homenagem à versão feminina de Hatsune Miku, cantora virtual que, criada para um ‘software’ de síntese de voz, se tornou uma personagem icónica da pop japonesa. Para esse jovem de 25 anos, é obrigatória a presença em todas as Comic Con e daí o investimento antecipado: comprou o passe geral já em 2024 pelo preço de ‘early bird’.

Yuri Dargent, da Escola António Alves Amorim, de Lourosa, costurou o seu fato com a ajuda da mãe e a qualidade da confeção impressiona: a máscara de gás com que recriaram o Kaneki Ken não tem um pesponto fora do sítio e ainda exibe uma grande dentadura impecavelmente desenhada. Junte-se uma peruca branca, um polo e calções com rasgões “provocados por tortura”, e está completa a recriação da complexa personagem de anime que o jovem aprecia porque “passou por muitas dificuldades e não vence sempre”.

Derrotas incomodam mais Mafalda e Lorena Sousa, da EB 2/3 Carlos Ferreira Almeida. Parecem angelicais nos seus casacos a lembrar asas de borboleta, mas, quando explicam porque evocam dessa forma as caçadoras de demónios Shinobu e Kanae, perdem-se em gargalhadas: “Elas sabem lidar muito bem com venenos e nós também queríamos!”.

É por perceber bem a força do riso e a necessidade de ludibriar com humor mesmo os piores acontecimentos que Joana Forte se passeia no Europarque num fato de couro de Ladypool, arrastando debaixo do braço a cabeça do anti-herói da Marvel que é seu parceiro. “Identifico-me bastante com o Deadpool porque gosto do seu sarcasmo e acho que temos que levar a vida com boa disposição, a tentar alegrar os outros”, explica.

Embora não seja secreta, a vida de Joana também é dupla: na maior parte do tempo é enfermeira veterinária; no restante, veste um dos 150 fatos de ‘cosplay’ que guarda com cuidado na garagem e depois exibe-os na conta de TikTok Freakin’Quinn, onde tem mais de 651 mil seguidores. Conciliar tudo isso é mais fácil que usar as lentes de contacto que, graças a uma fina grelha, lhe asseguram olhos quase totalmente brancos. “Não vejo nada com isto”, desabafou, entre risos.

Notícias do Centro | Lusa

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