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InPulsar assinala uma década com mais um projeto de apoio a sem-abrigo em Leiria

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A InPulsar – Associação para o Desenvolvimento Comunitário congratulou-se hoje por estar há uma década a ajudar a mudar a vida de grupos de risco em Leiria e revelou à agência Lusa um novo projeto de apoio a sem-abrigo.

A primeira pessoa a ser integrada no projeto ‘Apartamentos Partilhados’ deu entrada na quinta-feira: “É uma nova resposta para cinco pessoas, que foi aprovada pela Segurança Social. É dirigida a pessoas que estejam em situação de sem abrigo, mas de curta duração. O objetivo é trabalhar a integração e tentar que não se tornem [sem-abrigo] crónicas”, afirmou à Lusa a diretora-geral da InPulsar, Lisete Cordeiro.

Segundo a técnica, o projeto prevê a criação de um plano de seis meses, que “pode ir até ao máximo de um ano”.

“O objetivo é que num curto espaço de tempo possam ser integrados a trabalhar ou em formação. São pessoas que, devido à pandemia ou outras situações, ficaram em situação de sem-abrigo. Vai ser a nossa primeira experiência com várias pessoas no mesmo espaço, mas pensamos que é uma população um pouco diferente daquela que acompanhamos na ‘Morada Certa’”, acrescentou.

Ao longo de dez anos, a InPulsar já deu resposta a mais de seis mil pessoas, a quem foi dada a possibilidade de “melhorar as suas vidas e de terem a possibilidade de viver em vez de sobreviver”, sublinhou o presidente da InPulsar, Miguel Xavier.

Lisete Cordeiro assumiu que o objetivo é mesmo “mudar vidas”, pelo que se sente “uma privilegiada”, por “mudar vidas ou de poder ajudar a mudar a vida das outras pessoas”. E este é um percurso lento, avisa a responsável, ao sublinhar que é preciso elogiar as “pequenas mudanças”.

Por exemplo, alguém que consumia uma determinada quantidade de produto estupefaciente e diminui o consumo é “uma mudança”.

O projeto ‘Morada Certa’, assim como o ‘Giro Ó Bairro’, são intervenções que enchem de orgulho os elementos da InPulsar. O primeiro parecia uma “utopia” de realizar e retirou 16 pessoas da rua. O outro tem contribuído para a redução do absentismo escolar na comunidade cigana.

A ‘Morada Certa’, criada há dois anos, é um dos projetos que mais faz sorrir Lisete Cordeiro. Baseia-se na metodologia de “housing first”, ou seja, disponibiliza-se uma casa e só depois os sem-abrigo começam a cumprir os requisitos, quando habitualmente é necessário o cumprimento de um conjunto de regras para que as casas sejam disponibilizadas, explicou a diretora-geral.

“Para mim, é um projeto que veste a cara da InPulsar, que dá dignidade às pessoas. É a inclusão de sem-abrigo em casas individualizadas e dispersas pela cidade. Já integrámos 16 pessoas e, neste momento, são 14: uma faleceu e a outra apaixonou-se e mudou de concelho”, revelou Lisete Cordeiro.

A pessoa que faleceu era sem-abrigo há mais de 15 anos e ninguém sabia, acrescentou a técnica. “Conseguimos dar dignidade a esta pessoa nos últimos tempos de vida”, reforçou.

O projeto é direcionado a “pessoas crónicas sem-abrigo”, que já rejeitaram outras propostas e “estão em fim de linha”. Apesar de serem mais velhas e com outras características, Lisete Cordeiro revelou felicidade ao dizer que já integraram cinco pessoas no mercado de trabalho e outros envolveram-se em projetos de voluntariado.

Miguel Xavier considerou ainda que o ‘Giro Ó Bairro’ “intervém numa comunidade muitas vezes marginalizada”. “A ideia é combater o insucesso escolar e cumpre esse compromisso. Trabalha com crianças e mostra que há novas oportunidades e possibilidade de seguir outro caminho. É daqueles projetos que não se pode parar. Este trabalho precisa trazer para a comunidade que ali há pessoas que também têm os seus problemas e dificuldades, mas também têm o seu valor”, destacou.

Para o presidente da InPulsar, o principal problema da associação é depender de financiamentos para cada projeto, que tem um princípio e um fim.

“Intervimos naqueles utentes e de repente pensamos: o financiamento acaba e o projeto acaba. O que será daquelas pessoas que têm vindo a ser acompanhadas?”.

Por isso, admitiu que o primeiro objetivo “é que os projetos não caiam” e, antes de criarem uma nova resposta, procuram manter os projetos que “estão sólidos”.

Quando iniciou a sua atividade, a InPulsar tinha três projetos. Hoje tem mais de uma dezena, alcançou o estatuto de instituição particular de solidariedade social e possui 24 funcionários a contrato, mais prestadores de serviço.

“Temos garantido a nossa intervenção nas áreas chave e temo-la mantido. O que nos diferencia é a resposta imediata que damos. Olhamos para a pessoa à mesma altura, com respeito pela diferença e pela sua dignidade. E isso mostra a saúde da InPulsar”, disse Miguel Xavier.

Notícias do Centro | Lusa

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