O festival WOOL, que se realiza na Covilhã, vai cancelar e reformular algumas das iniciativas previstas para a edição deste ano, após um “corte inesperado” de financiamento de cerca de 30% do orçamento, afirmou hoje a organização.
“Na sequência de um corte inesperado e significativo no financiamento da 15.ª edição do WOOL – Covilhã Arte Urbana, e apesar de todos os esforços para colmatar e minimizar esta situação, vemo-nos na obrigação de proceder a um reajuste do programa anunciado”, disse a organização do festival, em comunicado enviado à agência Lusa.
O corte está relacionado com a alteração do regulamento do programa Portugal Events, da Turismo de Portugal, que obriga projetos com orçamento inferior a 500 mil euros a concorrer através das regiões de Turismo, disse à agência Lusa Lara Seixo Rodrigues, da organização do festival.
Ao ter de concorrer pela Turismo Centro, que tem uma menor dotação financeira, o WOOL acabou por receber um apoio de 10% do orçamento global do projeto, quando, no passado, o programa Portugal Events financiava entre “30% a 40%” do evento, aclarou.
“O financiamento não falha só a este nível. Há uma dificuldade em trazer marcas, fundações e empresas a apoiar projetos no interior. Essa é a principal falha. Quando falta um apoio, nota-se, porque são orçamentos muito apertados, limitados nas opções e nas entidades interessadas em apoiar. Quando um falha, ressente-se em todo o projeto”, afirmou Lara Seixo Rodrigues.
Em declarações à Lusa, o presidente da Turismo Centro, Rui Ventura, defendeu que o WOOL “devia ser apoiado diretamente pela Turismo de Portugal”, referindo que já foi pedida uma reunião junto daquela entidade para assegurar que “projetos estruturantes” como aquele evento possam ser “apoiados de forma diferente”.
“Os projetos do Centro de Portugal não podem ser tratados da mesma forma que são tratados outros projetos no país”, defendeu.
Rui Ventura recordou que para o programa regional há uma dotação de 250 mil euros, quando houve um total de candidaturas com investimento elegível a ultrapassar os sete milhões de euros, o que condicionou o processo de seleção.
Face à redução de apoio financeiro direto, o festival irá cancelar a Fábrica WOOL, atividade que pretendia ocupar o espaço industrial da antiga empresa têxtil Nova Penteação e Fiação, envolvendo “artistas emergentes e consagrados, nacionais, internacionais e da região”.
As WOOL Talks (espaço de discussão e pensamento), o projeto LATA 65 (oficinas de arte urbana para idosos) e a exibição do filme documental “Subimos Junt_s” também não irão acontecer, face à redução de apoios, anunciou a organização.
No comunicado, o festival salientou que, ao longo de 15 anos, conseguiu afirmar a Covilhã “a nível nacional e internacional”.
“Continuaremos a preparar o WOOL 2026 com o compromisso de sempre de afirmar a criação artística em espaço público como ferramenta de transformação, mantendo viva a ligação ao território e às suas comunidades”, salientou.
Além do financiamento por via da Turismo Centro, o festival é apoiado pela Câmara da Covilhã, Fundação BPI La Caixa, Embaixada de Espanha em Portugal, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Farmácia Holon Covilhã, União de Freguesias de Covilhã e Canhoso, e REN, afirmou Lara Seixo Rodrigues, sublinhando que, além destas, há muitas outras entidades que asseguram apoio em géneros, “sem as quais seria impossível fazer o festival”.













Comentários