Coimbra

Coimbra debate colonialismo e racismo com programa transdisciplinar de 10 dias

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A cidade de Coimbra vai ter a oportunidade de embarcar “numa aventura de 10 dias”, que promete debater o colonialismo e o racismo, em 15 eventos multidisciplinares, que irão ocorrer, no mês de outubro, em diferentes espaços.

Intitulado “Afro-Portugal: Contas de Torna-Viagem”, este ciclo de programação – pensado pelo Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) e pela Escola da Noite – vai decorrer em Coimbra, de 12 a 22 de outubro.

Durante a conferência de apresentação da iniciativa, esta tarde no TAGV, em Coimbra, a responsável pela curadoria, Catarina Martins, sublinhou que o programa teve como mote a canção “Canto dos Torna-Viagem”, de José Mário Branco.

“A viagem das descobertas é o ponto inicial do colonialismo português e é sempre o mito que ficou no cerne da identidade portuguesa. Este ciclo pretende começar por aí, interrogar aquilo a que o José Mário Branco chama a pátria moratória”, sustentou.

De acordo com a responsável pela curadoria do ciclo, pretende-se questionar a identidade portuguesa e como é que ela assenta na memória colonial.

“Vamos debater essa memória que é ainda um tabu na sociedade portuguesa. Em Coimbra tem havido alguns momentos dessa discussão, mas é preciso acentuá-la e fazer daqui o centro dessa discussão”, justificou.

Para além do colonialismo, também a questão do racismo atravessa todo este ciclo de 10 dias de programação.

“Queremos, sobretudo, dar espaço e visibilidade às artes de pessoas negras. Esse é o maior foco da programação”, indicou.

Performances, exposições, filmes, debates, literatura, música, ‘workshops’ e ações socioeducativas, culminando na peça “Aurora Negra”, compõem toda uma programação, que vai mobilizar dezenas de artistas, em múltiplos espaços.

Destaque para a exposição “Black Youth: Weaving Identities”, que poderá ser visitada de 15 a 22 de outubro, na Casa da Esquina.

“A literatura vai ter uma presença fortíssima na parte das questões negras, com autores de grande dimensão no panorama da escrita africana e afrodescendente. Vamos ter também uma feira do livro especializada e acabar com um grande momento musical das Bandeirinhas da Boba, que são batucadeiras que vêm da margem sul”, apontou Catarina Martins.

O diretor do TAGV, Fernando Matos de Oliveira, aproveitou a ocasião para frisar que este projeto é o concretizar “de uma sintonia de interesses da programação, valores, estratégias e linhas de intervenção no espaço público”, partilhadas com a Escola da Noite.

Já Pedro Rodrigues, da companhia de teatro A Escola da Noite, registou a atitude generosa do TAGV, que a desafiou, “num momento-chave”, quando preparava candidatura aos programas de apoio à programação da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses.

“Afro-Portugal: Contas de Torna-Viagem” tem como parceiros o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (UC), Casa da Esquina, Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da UC, Doutoramento em Estudos Feministas da Faculdade de Letras da UC e Projeto CROME (CES).

Notícias do Centro | Lusa

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