O município de Belmonte aprovou hoje por maioria, com a abstenção do PSD, as contas referentes ao ano de 2025 que apresentam um saldo negativo de cerca de 2,4 milhões de euros (ME).
O presidente da Câmara de Belmonte, eleito como independente pelo Nós Cidadãos, António Luís Beites, explicou que este valor mais que duplicou em relação a 2024, que era de 1,1 ME, e manifestou preocupação com a forma como pode ser feita a retoma deste défice e voltar a pôr as contas em ordem.
A despesa com o pessoal, os serviços de água, saneamento e resíduos e também de energia “representaram em 2025 6,3 ME e o Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF) que o município recebe é de 6,3 ME, ou seja, é totalmente absorvido por estes encargos e tem de se reverter esta situação”.
E, “sem tesouraria, não se pode avançar para outros investimentos”.
Este executivo tomou posse no início de novembro de 2025 e, na apresentação de contas intercalares “o endividamento era de cerca de dois milhões, havendo um passivo total de cerca de 14 ME, que na realidade era de 12 ME, porque foi possível reduzir algum desse passivo”.
“Mas, obviamente, continua a ser um passivo claramente elevado, se bem que na gestão em termos diários, naturalmente que a componente da tesouraria é aquela que maior dificuldade hoje gera para a gestão da autarquia, porque a receita corrente que a autarquia tem é claramente diminuta e, praticamente, não dá neste momento para a despesa corrente acumulada dos últimos meses do anterior mandato ainda”.
Além de uma auditoria externa, que a autarquia já está a tratar a pedido da Assembleia Municipal, a solução passa por “fazer uma estruturação clara de toda a componente funcional da autarquia”.
António Luís Beites reconheceu que há setores que estão bem guarnecidos de recursos humanos, mas “há outros que têm falta desses recursos, pelo que se tem de encontrar a melhor solução”.
O vereador do PSD, Humberto Barroso, acompanhou a preocupação do presidente do município, consciente que todos se vão perguntar: “Como é que a Câmara Municipal vai andar para a frente?”.
Ou até mesmo o Governo “questionar porque é que o dinheiro do FEF foi estourado em despesas correntes”.
Também a Empresa Municipal de Promoção e Desenvolvimento Social (EMPDS) do Concelho de Belmonte, que gere a rede museológica do município e atividades culturais, apresentou um resultado líquido negativo de 116 mil euros, mais 77 por cento que no ano transato, que ficou nos 64 mil euros.
Sendo o financiamento da empresa municipal da responsabilidade da autarquia, mais se agudiza a asfixia financeira do município.
“O conselho de administração da EMPDS já está a trabalhar numa reestruturação interna e há uma ligação ativa com os operadores turísticos, para atrair mais turistas para o concelho de Belmonte”, explicou António Luís Beites.
Humberto Barroso considerou que “enquanto a rede museológica não for renovada e melhorada não será fácil por as contas em ordem e positivas”.
Já Paulo Borralhinho, do PS, que esteve em substituição do vereador Vítor Pereira, referiu a importância de o conselho de administração da EMPDS ser “firme na recuperação dos valores que estão concentrados num só cliente, o que ajudaria muito na situação financeira”.
A solução passa por procurar novas formas de receita e apoio ao investimento, mas, ainda que residual, a autarquia para poupar algum dinheiro está a internalizar o serviço de cobrança de água, ficando apenas a impressão e expedição das cartas afetas a um serviço externo.











Comentários