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“Não se trate aquilo que é diferente como igual”. Presidente de Alvaiázere pediu que não se esqueça o “impacto devastador” da depressão“

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O presidente da Câmara de Alvaiázere, concelho do distrito de Leiria gravemente afetado pela depressão Kristin, pediu hoje para que não se esqueça o “impacto devastador” no concelho e que “não se trate aquilo que é diferente como igual”.

“Foi devastador e muito superior àquilo que foi noutras regiões do país, mesmo dentro daquilo que é a região Centro. É incomparável às outras regiões”, destacou João Guerreiro no discurso na cerimónia do Dia do Concelho, focado nas consequências das tempestades do início do ano.

Dirigindo-se ao presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, Ribau Esteves, o autarca pediu que “a CCDR não se esqueça disso, que o Governo não se esqueça disso e que não se trate aquilo que é diferente como igual.

“Porque, tal como os territórios diferentes precisam de respostas diferentes, também as tragédias mais acentuadas precisam de uma resposta mais robusta”, salientou.

Recuando à madrugada de 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu o concelho, o autarca recordou que acordou “com uma equipa dos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere” à porta, dizendo-lhe “sr. presidente, vamos embora para o posto de comando”.

“Sigam, que eu já lá vou ter”, respondeu João Guerreiro, tendo dos bombeiros ouvido: “Sr. presidente, não está a perceber, o seu carro não passa, tem de vir connosco.”

Descrevendo os dias que se seguiram como difíceis, o autarca notou que “é uma situação para a qual, por muito que se diga, ninguém está preparado”, mas considerou que a resposta do concelho foi positiva, “num contexto extraordinariamente difícil”, embora ainda haja “muitas situações a repor”.

No discurso, agradeceu o trabalho de várias entidades, destacando o trabalho dos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere, presidentes de junta ou funcionários municipais.

A Ribau Esteves pediu “o apoio e a colaboração” para a resolução de três situações, começando com a questão das candidaturas aos apoios para a reconstrução de casas, prevendo, do lado do município, que o processo esteja concluído até ao próximo dia 30.

“As pessoas precisam de receber rapidamente os seus apoios”, declarou.

Neste aspeto, observou que “há inteligência artificial que serve para falsificar candidaturas”, lamentando o “muito oportunismo” nesta matéria.

Quanto à revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), em curso há 12 anos, João Guerreiro disse ter “muita esperança” de que possa estar concluída até final do ano e admitiu dificuldades em cumprir o prazo de 31 agosto para concluir a requalificação, na ordem dos sete milhões de euros, da Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Ribeiro Ferreira, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“Vamos precisar da ajuda da CCDR para saber o caminho a seguir”, adiantou.

Na resposta, Ribau Esteves salientou que “não há tempestade nenhuma” que tire o país do caminho de desenvolvimento, “de lutar pela qualificação dos territórios e pela melhoria da vida das pessoas”.

“Estamos a responder [ao impacto da tempestade], mas não vamos sair do nosso foco”, garantiu o presidente da CCDR Centro.

Quanto à revisão do PDM, Ribau Esteves garantiu disponibilidade, cumprindo “com celeridade e com lealdade” o trabalho que compete à CCDR, e disse que, no caso da escola, “haverá seguramente solução”.

A sessão incluiu a entrega da Medalha de Mérito à Brigada Mecanizada do Exército, à Guarda Nacional Republicana e à empresa Ascendi, tendo sido igualmente distinguidas outras entidades que ajudaram o concelho a minorar o impacto do mau tempo.

Já a Medalha do Concelho foi entregue, simbolicamente, à Assembleia Municipal de Alvaiázere, em representação da população, para homenagear a resiliência e solidariedade dos cidadãos.

O concelho de Alvaiázere contabilizou 60 milhões de euros de prejuízos devido ao mau tempo.

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