O AgitÁgueda está de regresso para mais uma edição (a 19.ª), prometendo voltar a transformar a cidade num dos principais palcos culturais do país. A apresentação oficial decorreu anteontem, no Café-Concerto do Centro de Artes de Águeda, onde foi revelado o cartaz musical e as principais novidades de um evento que se estende por 23 dias.
O cartaz de 2026 volta a reunir nomes sonantes da música nacional e internacional, refletindo a diversidade que caracteriza o festival. Entre os destaques estão artistas como Mariza, Dillaz, Gipsy Kings, Inner Circle e LP, a par de nomes bem conhecidos do público português como Nuno Ribeiro, Carolina de Deus, Marisa Liz, Santamaria ou The Legendary Tigerman. A programação inclui ainda projetos emergentes e propostas mais alternativas, bem como atuações de DJs e momentos after hours, garantindo uma oferta musical abrangente e transversal a diferentes públicos.
Muito mais do que um festival de música, o AgitÁgueda volta a afirmar-se como uma experiência cultural abrangente, com dezenas de iniciativas que cruzam arte urbana, animação de rua, gastronomia, desporto e atividades para toda a família. Ao longo do mês de julho, a cidade será novamente invadida por instalações artísticas, concertos, performances e projetos participativos, num ambiente marcado pela cor e pela proximidade entre público e artistas.
Entre os momentos mais aguardados estão o Carnaval Fora d’Horas e o Color Day, o Encontro de Estátuas Vivas, a Feira de Artesanato e as tradicionais tasquinhas, que continuam a destacar os sabores locais. A programação inclui ainda espaços dedicados às famílias, como o Agita Kids, e zonas de lazer como a piscina fluvial, reforçando a vocação inclusiva do evento.
Na apresentação de anteontem, Jorge Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Águeda, sublinhou o impacto transformador do festival, afirmando que o AgitÁgueda “não é um exemplo, é o exemplo do que um evento pode fazer por uma terra”. O Edil destacou ainda o crescimento contínuo do evento ao longo dos seus 19 anos, referindo que “todos os anos são cada vez mais os visitantes”, num percurso que levou o festival a ultrapassar, no ano passado, a fasquia de um milhão de visitantes.
Jorge Almeida enfatizou também a dimensão simbólica e identitária do evento, salientando que “a imagem dos guarda-chuvas coloridos correu mundo e tornou Águeda extremamente conhecida”, contribuindo para um sentimento de pertença crescente entre os aguedenses. “Hoje, há um orgulho extraordinário em dizer que se é de Águeda”, acrescentou.
Edson Santos, Vice-Presidente da Câmara Municipal, destacou a diversidade da programação, lembrando que o AgitÁgueda “é muito mais do que o cartaz”, integrando “mais de 85 eventos e cerca de 150 projetos ao longo dos 23 dias”. Para o responsável pelo pelouro do Turismo, Lazer e Promoção do Concelho, o festival distingue-se por um conceito próprio: “temos algo de original, que não se encontra em mais lado nenhum do país”.
Edson Santos reforçou ainda a aposta na inclusão, sublinhando que o evento “é feito para famílias e não deixa ninguém de fora”, apontando exemplos como os concertos com tradução em Língua Gestual Portuguesa e os espaços reservados a pessoas com mobilidade reduzida. “Queremos tornar o evento o mais acessível possível”, afirmou.
A componente cultural do festival é reforçada com iniciativas como a Festa no Parque, que decorrerá no Parque Municipal de Alta Vila e que, nesta edição, assume um enfoque especial na leitura e na literatura, reunindo escritores, performances e instalações artísticas. Em paralelo, as residências artísticas voltam a afirmar-se como referência, assinalando uma década de intercâmbio criativo que tem trazido à cidade artistas de várias partes do mundo, promovendo a criação, a partilha e a valorização cultural.
Destaque ainda para o Festival i, desenvolvido em parceria com a d’Orfeu, que mantém o seu espaço na programação como um momento dedicado à experimentação artística e à diversidade cultural, reforçando a rede de colaborações que caracteriza o evento.
Entre as novidades desta edição, o Vice-Presidente destacou a criação do Palco 2, um espaço dedicado a projetos emergentes e ao movimento associativo local. “É uma forma de dar palco a quem normalmente não tem essa oportunidade e mostrar o que melhor se faz em termos culturais em Águeda”, explicou, sublinhando que este novo espaço será também ocupado por bandas juvenis do concelho, que assumem um papel central na programação.
Estas bandas, ligadas a escolas de música e associações locais, sobem ao palco como verdadeiras protagonistas, funcionando, nesta edição, como “cabeças de cartaz” deste novo espaço. A iniciativa pretende valorizar o trabalho desenvolvido ao nível da formação musical e dar visibilidade a jovens talentos, aproximando-os do público e criando novas oportunidades de crescimento artístico.
Outra das inovações passa pela introdução de novos serviços de apoio ao público, como a instalação de cacifos. “Vamos proporcionar às pessoas menos uma preocupação e tornar a sua experiência mais confortável”, referiu Edson Santos, acrescentando que estas medidas resultam da escuta ativa dos visitantes e das suas necessidades.
O responsável destacou ainda a importância do evento para a economia local, sublinhando que todas as iniciativas são pensadas também para “dinamizar e promover o comércio local”, criando retorno económico para o concelho.
O AgitÁgueda mantém igualmente o seu compromisso com a sustentabilidade, com práticas que incluem a utilização de materiais reutilizáveis, a promoção da mobilidade elétrica e a gestão eficiente de resíduos. Este posicionamento contribui para o reconhecimento de Águeda como um dos destinos mais sustentáveis da Europa.
Os números das edições anteriores confirmam a dimensão do evento: em 2025, o AgitÁgueda recebeu mais de um milhão de visitantes, provenientes de dezenas de países, consolidando o seu estatuto como um dos maiores festivais gratuitos do país e um importante motor económico para a região.
Jorge Almeida fez ainda questão de sublinhar que o investimento no AgitÁgueda não compromete outras áreas de intervenção municipal, destacando o volume de obra em curso no concelho. “Há quem pense que, ao apostarmos num evento desta dimensão, deixamos outras coisas para trás, mas isso não corresponde à realidade”, afirmou. “O nível de obras por todo o concelho é enorme”, referiu, apontando exemplos como o Mercado Municipal, “que está quase pronto”, a requalificação da sua envolvente, a intervenção na zona da Cerâmica do Alto, com a abertura da circulação sob o viaduto, bem como novas pavimentações em várias freguesias, o edifício do CER no Parque Empresarial do Casarão, a nova unidade de saúde de Barrô, e a ampliação do Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga.
O Presidente da Câmara de Águeda destacou também a gestão financeira do município, referindo que Águeda consegue afirmar-se “com os impostos mais baixos do país e com contas certas”, conciliando investimento em eventos com políticas de apoio direto às famílias e desenvolvimento sustentável do território.
Com entrada livre e uma programação diversificada, o AgitÁgueda 2026 volta a convidar o público a viver a cidade de forma intensa e participativa. Em julho, Águeda volta a ser sinónimo de cor, criatividade e celebração coletiva.












Comentários