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Gouveia assinala no domingo os 30 anos da morte de Vergílio Ferreira

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A Câmara de Gouveia vai evocar, no domingo, os 30 anos da morte de Vergílio Ferreira com uma oficina de escrita criativa e uma visita guiada à Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre, em Melo.

O objetivo é “não apenas homenagear o escritor, mas também estimular o interesse pela leitura e pela criação literária junto das novas gerações, garantindo que o pensamento e a obra de Vergílio Ferreira continuam presentes no panorama cultural contemporâneo”, adianta a autarquia gouveense em comunicado enviado à agência Lusa.

Com as atividades programadas para 01 de março na terra natal do romancista, onde também está sepultado, a Câmara de Gouveia, no distrito da Guarda, pretende ainda “aproximar as novas gerações da literatura portuguesa”.

Sob o mote ‘Evocação e Memória’, a Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre, em Melo, vai acolher momentos pedagógicos e de contacto direto com o legado literário do autor.

A programação começa pelas 11:00 com uma oficina de escrita criativa destinada a jovens dos 10 aos 15 anos, para “incentivar a expressão literária e o desenvolvimento da criatividade”, refere o município.

A partir das 15:00 terá lugar uma visita guiada à Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre, situada na praça central de Melo, um espaço dedicado à preservação da memória do escritor e à divulgação da sua obra.

No final será sorteado entre os participantes um exemplar do I Volume de “Conta Corrente”, uma das obras mais emblemáticas do romancista.

Vergílio Ferreira (1916-1996) é considerado um dos maiores romancistas portugueses do século XX com obras como “Estrela Polar”, “Manhã Submersa”, “Aparição”, “Para Sempre”, ou o registo diarístico de “Conta Corrente”, entre outras.

Literariamente começou por ser neorrealista, com “Vagão J”, “Mudança”, publicados na década de 40 do século passado, mas, a partir da publicação de “Manhã Submersa” e, sobretudo, de “Aparição”, o escritor aderiu a preocupações de natureza metafísica e existencialista.

A prosa de Vergílio Ferreira, que entronca na tradição queirosiana, é uma das mais inovadoras dos ficcionistas do século passado.

O ensaio é outra das grandes vertentes da sua obra, que também acabou por influenciar a criação romanesca.

A aldeia de Melo, no concelho de Gouveia, acolhe, desde outubro de 2024, a Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre, que resultou da reabilitação da Villa Josephine, onde o escritor viveu a sua infância, num investimento da ordem dos 900 mil euros realizado pela Câmara de Gouveia.

O espaço destina-se a divulgar e perpetuar o legado literário, estético e filosófico de Vergílio Ferreira, funcionando como espaço de memória e museu.

No rés-do-chão, a primeira sala é dominada por uma cronologia da vida do professor, a sua biblioteca digital e um pequeno auditório que acolhe atualmente alguns objetos pessoais, fotografias da família e manuscritos do escritor, nomeadamente “Vagão Jota”, o único à guarda da Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira, de Gouveia.

Estão também patentes alguns dos livros que marcaram a obra e vida do romancista.

No primeiro andar estão instalações artísticas de António Ramalho, Ana Biscaia, Luís Silveirinha, Evelina Oliveira, Paulo Neves e Frederico Corado inspiradas na obra do Vergílio Ferreira.

Numa das salas fica também o cadeirão usado pelo escritor e há livros por todo o lado, à espera de serem lidos ou folheados pelos visitantes.

No segundo andar fica a residência artística, que tem acolhido escritores, artistas e criadores.

Notícias do Centro | Lusa

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