A Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira é, das que integram a rede pública, a que fez mais empréstimos no país em 2023 e a que mais investiu em livros e outros documentos, revelou a direção dessa estrutura.
A conclusão resulta da análise à estatística mais recente da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), que, avaliando o desempenho de 2023 por parte dos 427 equipamentos que detém em 253 concelhos do território, situou a referida autarquia do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto como a mais ativa em vários domínios.
“Somos a biblioteca que mais faz empréstimos de livros e música, a que tem mais serviços itinerantes, a que tem mais utilizadores ativos e a que mais investe na aquisição de documentos”, sintetizou à Lusa a diretora desse espaço cultural, Mónica Gomes.
Começando pelo empréstimo domiciliário, a contabilidade em causa é a seguinte: em 2023 a Biblioteca da Feira e os seus nove polos cederam aos utilizadores um total de 129.719 itens, o que incluiu 55.987 livros para adultos, 73.732 para crianças e 3.805 CD de música.
Ao nível da itinerância, por sua vez, a estrutura destacou-se por contar com três serviços móveis: uma carrinha-biblioteca para deslocação pelas zonas mais periféricas de um município com 231,4 quilómetros quadrados, outra para uso sazonal em zonas balneares e uma terceira para visita específica a fábricas e instituições de caráter social – sendo que essa venceu, aliás, o Prémio Maria José Moura 2023 de Boas Práticas Públicas Municipais, por levar à comunidade industrial livros, revistas, DVD e CD, disponibilizando ainda acesso à internet e um terminal de pagamentos multibanco.
A essa oferta itinerante acresce ainda o serviço remoto BiblioLED, que permite a utilizadores registados a consulta de títulos em formatos digitais como audiolivro e pdf, assim como a plataforma PressReader, que reúne mais de 7.000 jornais e publicações de todo o mundo, e a base de dados EBSCO, específica para pesquisa de conteúdos científicos.
Já quanto aos utilizadores registados e com atividade regular, a Biblioteca da Feira destacou-se também como a que tem mais utilizadores ativos, em concreto 14.058 que fizeram requisições ao balcão de atendimento – universo que é distinto do das 66.825 entradas registadas no edifício, número que abrange cidadãos que podem não estar inscritos como utilizadores oficiais e aos quais não é solicitada identificação por altura da visita.
Quanto ao investimento, a liderança deve-se aos 78.538 euros que a biblioteca aplicou na compra de novos documentos, termo técnico que se aplica não apenas a livros, mas também a CD de música, DVD com filmes e documentários, jogos de tabuleiro e estratégia, e ainda instrumentos musicais.
“Foi um ano de investimento excecional em que aproveitámos para atualizar conteúdos”, admite Mónica Gomes.
Em 2024, esse orçamento para compras já diminuiu para 40.400 euros, o que estará mais próximo dos valores médios anuais em aquisição de novos itens. O número de empréstimos e utilizadores ativos, contudo, continuou a crescer, já que, segundo a estatística interna da Biblioteca da Feira, de 2023 para 2024 as requisições subiram de 129.719 para 155.161 e os utilizadores a fazê-las passaram de 14.058 para 15.222.
A diretora do equipamento inaugurado em 2000 e atualmente com um fundo de 276.082 documentos defende que esse desempenho comunitário resulta de uma estratégia em que “a Biblioteca procura ir ao encontro das pessoas, estejam elas onde estiverem e qualquer que seja a sua idade, para lhes dar a conhecer serviços que, sem esse esforço de contacto, elas não saberiam que existem”.
Graças a um horário de funcionamento que de segunda a sexta-feira se prolonga até às 23:00 e que também abrange sábados até às 19:00 e domingos até às 12:30, essa divulgação beneficia igualmente de atividades paralelas como a realização de exposições de artes plásticas, a exibição de cinema e a dinamização de clubes temáticos como os de tricô, gastronomia, artes decorativas e jogos de estratégia.
“Tentamos que o ambiente na Biblioteca seja o mais agradável e natural possível”, conclui Mónica Gomes, “para que todos se sintam confortáveis e à vontade, quer venham cá para estudar um tema em profundidade ou apenas para ler uma revista, ver as exposições ou tomar um café no nosso bar”.
O relatório estatístico de 2023 da RNBP constatou que se manteve “alguma dificuldade na recuperação de públicos, em particular no segmento de público adulto”, que se verifica desde a pandemia de covid-19.
“Esta situação sugere que importa diversificar, inovar e desenvolver estratégias de comunicação e de serviços presenciais e/ou com recurso às possibilidades oferecidas pelo ambiente web no sentido de reforçar a relação direta com os utilizadores das bibliotecas públicas, procurando conhecer melhor as suas necessidades e interesses”, pode ler-se no documento.
A RNBP refere uma “significativa descida” na aquisição de documentos em 2023 face ao ano anterior, apesar da adesão de seis municípios à rede.
Em 2023 verificou-se uma subida do número de novos utilizadores inscritos (83.961) face ao ano anterior, refere ainda o relatório anual, havendo uma percentagem de 21,1% da população total inscrita nas bibliotecas da RNBP.












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