Um estudo que está a ser desenvolvido na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) quer analisar o impacto na perda de rendimentos de famílias, empresas e associações do concelho de Pombal devido ao mau tempo.
“(…) O nosso objetivo é analisar o impacto na perda de rendimentos de certos agentes económicos, nomeadamente famílias, empresas e associações culturais, sociais e desportivas, como consequência das tempestades”, referiu à agência Lusa a equipa da FEUC que está a desenvolver o trabalho.
Numa resposta escrita, a equipa, orientada pela professora Susana Jorge, explicou que “este estudo complementa o trabalho de levantamento de estragos que o município realizou logo nas primeiras semanas junto de empresas, edifícios públicos ou de utilização pública e aglomerados, para perceber o que tinha de ser restaurado para se voltar à normalidade”.
Neste momento, a recolha de dados ainda está a decorrer, pelo que ainda não é possível dizer a dimensão da amostra.
“Mas pretendemos chegar às famílias, empresas e associações culturais, sociais e desportivas do concelho de Pombal, particularmente afetadas pela tempestade Kristin, e que registaram perdas de rendimentos ou receitas”, precisou.
Segundo a equipa, “a análise está a ser feita com base em informação de fontes documentais e institucionais, incluindo dados socioeconómicos e informação de natureza orçamental”.
“Além dessa, estamos a recolher outra, a partir de inquéritos a famílias, empresas e associações do concelho de Pombal”, esclareceu, considerando que “os dados destes inquéritos são fundamentais” e apelando “à máxima participação dos visados”.
Os inquéritos estão a ser divulgados pelo Município de Pombal, no distrito de Leiria, e “devem ser respondidos até ao final de abril”.
“Esta metodologia permite cruzar os dados recolhidos com o enquadramento teórico, de forma a compreender melhor a realidade do concelho e a sua capacidade de lidar com choques externos, como os temporais”, salientou.
O estudo decorre no âmbito da unidade curricular “Projeto Integrador”, no último ano das licenciaturas em Economia e Gestão da FEUC, no qual os estudantes desenvolvem projetos aplicados propostos por parceiros desta faculdade.
“Os estudantes de Economia André Rodrigues, Gonçalo Fernandes, Luís Carreira, Pedro Neves e Vasco de Almeida Silva optaram por um tema proposto pela Câmara Municipal de Pombal, associado às temáticas da sustentabilidade”, que foi ajustado, por proposta da docente Susana Jorge, dado o contexto que o concelho estava a passar na sequência do mau tempo.
O trabalho tem como principal destinatário a autarquia de Pombal e as entidades locais do concelho, mas “poderá ser relevante para outras instituições públicas, investigadores e comunidade em geral”, observou a equipa.
“Esperamos que o nosso estudo possa ajudar o município, contribuindo para apoiar futuras decisões de política pública local”.
Por outro lado, admitiu que “pode ter impacto nacional e servir de base para formulação de novas medidas de apoio às populações afetadas não só em Pombal, mas em todos os concelhos que sofreram o impacto do ‘comboio de tempestades’ que, na verdade, não trouxe só estragos físicos”.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.











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