Sérgio Lopes, vereador eleito pelo Partido Socialista, votou contra a proposta de aquisição pelo Município de Ílhavo de um imóvel denominado “Casa do Gaveto”, no centro da cidade de Ílhavo, por um montante de 225 mil euros, no quadro de um investimento inicial que poderia totalizar pelo menos 600 mil euros.
O autarca socialista considera que a integração de mais um edifício no património da autarquia não é prioritária e que os usos previstos pela maioria UPF encontram enquadramento nos espaços e valências municipais já existentes.
A proposta em causa foi chumbada na reunião de Câmara de 19 de janeiro, depois de reformulada um ano após a sua aprovação, com recurso ao voto de qualidade do presidente, em condições que faziam prever a reprovação em Assembleia Municipal.
O vereador do PS lamenta que a maioria UPF tenha demorado um ano a formular uma proposta que informe sobre os objetivos da aquisição e a utilização pretendida para o espaço. Sérgio Lopes considera que “os usos previstos, de índole social e cultural, são redundantes com outras valências municipais e que há seguramente condições para os acomodar em espaços já existentes, num contexto de edificado municipal subaproveitado, confirmando-se também que aquele imóvel não acrescenta proximidade aos serviços da autarquia, dada sua localização a passos de inúmeros edifícios municipais no centro da cidade”.
O PS considera que o esforço financeiro em causa não corresponde a uma necessidade prioritária, tendo também em conta a sua dimensão significativa, que a maioria UPF prevê, optimistamente, poder fixar-se inicialmente em 600 mil euros, entre aquisição e requalificação, a que se somariam custos fixos de funcionamento de mais um edifício no centro da cidade e alocação de recursos humanos, provavelmente contratados propositadamente para o efeito.
Sérgio Lopes defendeu que esta capacidade financeira deve antes ser aplicada em áreas que carecem de investimento urgente, de que são exemplo a necessidade de modernização do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos; de aumento do apoio ao associativismo e comércio local; de investimento nas infraestruturas de índole educativa, desportiva ou da saúde; ou do ordenamento dos centros cívicos da Gafanha da Nazaré e Gafanha da Encarnação, sem planos consistentes para o efeito.
O PS fez ainda saber que valoriza a preservação do património edificado com valia arquitetónica, no entanto, a aquisição do edifício pelo Município não é a única forma de o garantir, tendo a Câmara poderes de regulação do território que devem proteger o interesse arquitetónico em causa.
Sérgio Lopes constatou que “a maioria UPF, que aumenta as taxas de serviços de apoio às famílias; que tentou impor um violento aumento do tarifário de resíduos sólidos urbanos, travado pelo chumbo da oposição; que negou o aumento de apoio às associações e juntas de freguesia, pretendia agora, em sentido inverso, desencadear com leviandade este investimento supérfluo. Esta conduta desmente o discurso derrotista assumido por João Campolargo, que sempre se lamenta de hipotéticas dificuldades financeiras da autarquia. A maioria UPF perdeu condições para continuar a sonegar a capacidade de investimento do Município de Ílhavo para o que é prioritário”.










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