Aveiro

Trabalhadores das Águas de São João da Madeira protestam contra assédio e ‘bullying’

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Trabalhadores da empresa municipal Águas de São João participaram hoje em São João da Madeira, no distrito de Aveiro, num protesto exigindo a substituição de um diretor que acusam de “abuso de poder, assédio moral e ‘bullying’”.

Em declarações à Lusa junto ao edifício que acolhe a sede da empresa e outros serviços da autarquia, o presidente da direção de Aveiro do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) disse que o “mau ambiente” já se arrasta há vários meses e culpou pela situação tanto o diretor-geral da empresa, Daniel Matias, como o presidente da Câmara Municipal, Jorge Vultos Sequeira.

“Isto está mal desde o início porque, sendo a Câmara a acionista maioritária, com 51%, não se admite que a direção-geral tenha sido entregue a um funcionário da Indaqua, que é uma empresa privada e tem lá a fazer o que bem lhe apetece”, afirmou o dirigente sindical António Augusto Pires.

Esse responsável acrescentou que o atual diretor da Águas de São João “antes trabalhava como diretor de frotas e realmente só para isso é que serve, porque gerir pessoas não sabe: faz-lhes assédio moral e ‘bullying’, está sempre a ameaçar que as despede e agora até instalou câmaras de vigilância 24 horas por dia nos armazéns e áreas administrativas, sem ouvir os trabalhadores antes, o que é ilegal”.

Contactado pela Lusa, o presidente do conselho de administração da empresa Águas de São João – que é o presidente da Câmara, Jorge Vultos Sequeira – disse que “repudia e nega a veracidade de todas as afirmações do STAL, considerando-as difamatórias da empresa e dos seus trabalhadores”.

Acusando o dirigente sindical de “comportamento assediante e agressivo”, o autarca Jorge Vultos Sequeira declarou que houve uma averiguação às suas alegações de assédio moral, mas reconheceu que essa “investigação independente” foi conduzida pela própria Águas de São João e “não apurou a existência de qualquer facto caracterizador de assédio – concluindo, ao invés, que as alegações eram falsas e desprovidas de qualquer sentido”.

O presidente da Câmara acrescentou que “o conselho de administração acompanha a atividade da empresa municipal diariamente, bem como a de todos os seus agentes, e nunca tolerará a existência de qualquer ato de assédio, venha ele de onde vier, de um diretor geral ou de uns trabalhadores contra outros”.

O comportamento de Daniel Matias já levou o STAL a mover-lhe duas ações em tribunal, uma que o sindicato ganhou e outra em que trabalhador e diretor terão chegado a acordo.

“Mas ele insiste em perseguir as pessoas e agora pôs um processo disciplinar à chefe de recursos humanos e diretora financeira, suspendendo-a de funções 15 dias, sem salário, quando ela é competente e trabalha no serviço local das águas há 30 anos”, realçou António Augusto Pires.

O sindicalista afirmou que Daniel Matias “tem meia dúzia de funcionários que o apoiam” entre os cerca de 30 que integram a empresa municipal, mas defendeu que este caso de “gestão opressiva, com consequências como o ‘burnout’, a nível físico e psicológico”, devia ser investigado a fundo.

“Já levámos isto à Assembleia Municipal e BE e PCP estão do lado dos trabalhadores, como é habitual, mas até o PSD propôs que se constituísse uma comissão para analisar o caso e a medida foi chumbada pela maioria socialista”, revelou.

Uma das questões que o STAL quer ver escrutinadas é o facto de o diretor-geral “negar aos funcionários o trator e o limpa-fossas de que precisam para fazer o seu serviço, o que até os sujeita a riscos de segurança, mas não ter problemas em comprar dois carros elétricos para os amigos que tem lá a trabalhar, um para o engenheiro que lá vai de vez em quando e outro para o fiel de armazém”. Isso reflete, alega o sindicalista, “dois pesos e duas medidas, em função de critérios pessoais e não profissionais”.

Notícias do Centro | Lusa

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