Aveiro

Oliveira de Azeméis em vias de classificar sítio arqueológico descoberto em ações de reflorestação

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 O Município de Oliveira de Azeméis revelou hoje que tem em curso a classificação arqueológica da chamada “Fonte do Soldado”, descoberta em 2017 quando ações de reflorestação em Madaíl expuseram vestígios desse povoado.

O procedimento classificativo foi publicado terça-feira no Diário da República, assinado pelo presidente do instituto público Património Cultural, e garante ao sítio arqueológico do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto uma área de salvaguarda num raio de 50 metros a partir dos seus limites externos.

Quanto à motivação para classificar o local, a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis declara à Lusa que isso se deve às “várias particularidades” do povoado descoberto a meio caminho entre o castro de Ul e o de Recarei, e na proximidade da Mamoa do Peralta.

“Ao contrário dos castros de Ul e Recarei, o sítio ‘Fonte do Soldado’ não está no topo de um cabeço nem se encontra rodeado de estruturas defensivas como muralhas e taludes, pelo que pode corresponder a um tipo diferente de ocupação do território – um povoado aberto”, explica fonte da autarquia.

Sobre o ponto específico de Madaíl agora em vias de classificação, os serviços da Câmara afirmam que “não se conhecia qualquer referência à possibilidade de existência de um sítio arqueológico naquele local”.

Foram as movimentações de terras realizadas em 2017 para plantação de árvores que deixaram a descoberto vários vestígios de “cerâmicas manuais, incluindo um fragmento de taça carenada, e diversa cerâmica decorada, entre a qual se destaca um bordo com decoração ungulada e dois fragmentos com decoração campaniforme do estilo marítimo”.

“Foi ainda recolhida uma raspadeira sobre lâmina evolucionada”, acrescenta a fonte municipal, referindo que a esse conjunto de materiais proto-históricos se juntavam outros de datação mais recente, atribuída à era romana.

Quanto à designação de “Fonte do Soldado”, aplica-se ao povoado na generalidade e não apenas a uma estrutura de acesso a água, sendo que o nome em causa foi indicado pela Associação Dona Urraca Moreira, após auscultação da população sénior de Madaíl na tentativa de identificar a mais antiga toponímia da zona.

“Apesar de não existir nenhuma fonte no local, em 2017 eram lá visíveis três entradas para uma mina de água, que não explorámos por falta de condições de segurança para o efeito”, explica a mesma fonte do Município. “Apesar disso, ainda lá são visíveis alguns regos para encaminhamento da água […], pelo que o topónimo ‘fonte’ resulta da existência de uma ou mais minas que, muito provavelmente, abasteceriam todos os terrenos agrícolas desde essa encosta até ao rio Ul”, realça.

Sondagens posteriores, em 2024, “vieram reforçar a importância do sítio e a necessidade de o proteger”, justificando então o processo de classificação agora em curso. O objetivo do procedimento é “possibilitar um melhor conhecimento da relação do povoado da Fonte do Soldado com os outros sítios existentes nas proximidades”.

Notícias do Centro | Lusa

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