DestaqueLeiria

Sindicato quer Museu do Vidro da Marinha Grande alargado à Fábrica Escola Irmãos Stephens

0

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (STIV) quer que o Museu do Vidro seja alargado às antigas instalações da Fábrica Escola Irmãos Stephens (FEIS), adquiridas pela Câmara da Marinha Grande em 2018.

“O que o Sindicato Vidreiro gostaria é que o Museu do Vidro se alargasse para o espaço emblemático da Fábrica Escola Irmãos Stephens e aí tenha demonstrações ao vivo de todo o tipo de vidro e de decoração, para manter a tradição e o saber fazer, e, assim, criar mais interesse para os visitantes nacionais e internacionais”, afirmou à agência Lusa a coordenadora do sindicato, Etelvina Rosa.

Para Etelvina Rosa, “a divulgação da arte vidreira em todas as vertentes, o fabrico e também os diversos tipos de acabamentos, o corte, a lapidação, a pintura, as diversas formas de gravação, incluindo a pantogravura”, são outros dos objetivos que o STIV gostaria de ver alcançados em 2022, quando se assinala o Ano Internacional do Vidro.

Em maio de 2021, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução, proclamando 2022 como Ano Internacional do Vidro.

O presidente da Câmara da Marinha Grande, Aurélio Ferreira, reconheceu que o Museu do Vidro, que completa 25 anos em 2023, tem de crescer, assumindo que o espaço é hoje, “essencialmente, uma exposição de peças”, mas tem de ter “alguma coisa viva”.

“O museu tem de ter uma atividade de maneira que as pessoas quando vêm visitar vejam vidro a produzir”, defendeu, admitindo que a proposta do STIV é positiva.

Aurélio Ferreira explicou que a Câmara conta lançar este ano uma consulta para a população escolher o destino das instalações da antiga FEIS, adquiridas pelo município por 1,2 milhões.

“Vamos ver se também este ano lançamos – é esse o nosso projeto – o que é que os marinhenses querem para a FEIS”, afirmou, apontando para o espaço “alguma coisa que tivesse visibilidade”, porque a “História da Marinha Grande está ali e os marinhenses vão querer rever-se naquilo que ali vai fazer-se”.

“Não vamos fazer aqui nada que seja uma revolução e que ninguém mais se lembra que ali foi o berço da Marinha Grande ou que foi a Fábrica Escola”, assegurou.

Para já, está em curso no espaço um estudo histórico e arqueológico-industrial pelo investigador Jorge Custódio.

“É um trabalho que já iniciámos no início deste ano. (…) Espero que lá para setembro tenhamos aqui já uma identificação do que é que arqueologicamente tem valor dentro deste edificado e o que não tem”, explicou.

Em dezembro de 2018, a Câmara adquiriu a antiga Fábrica Escola Irmãos Stephens, com uma área de 11 mil metros quadrados, passando a fazer parte do acervo municipal juntamente com outro do património Stephens, como os edifícios onde hoje estão a Casa da Cultura, o Museu do Vidro, a Biblioteca e Arquivo municipais, e a Escola Profissional.

Segundo informação disponibilizada pela Câmara, em 1747, a Real Fábrica de Vidros foi transferida de Coina para a Marinha Grande.

“Instalada na Marinha Grande, junto do Pinhal do Rei, produzia em 1758 vidro cristalino e vidraça”, mas acabou por fechar em 1767.

Dois anos depois, Guilherme Stephens (1731-1803), a convite do Marquês de Pombal, reabre a unidade.

“Em 07 de julho de 1769, o Rei D. José I assina o decreto que autorizou a reabertura da Real Fábrica de Vidros, ordenando que fosse concedida a Guilherme ‘toda a ajuda e favor que fossem necessários’, incluindo um empréstimo sem juros de 30 contos de reis, o uso gratuito de madeira deteriorada e ramos dos pinheiros do Pinhal do Rei e a isenção de todos os impostos sobre vendas”, adianta informação do município.

Após a morte de Guilherme Stephens, a fábrica ficou a ser administrada pelo seu irmão João Diogo Stephens (1748-1826). Com a sua morte, a unidade passou para o Estado.

Notícias do Centro | Lusa

Ano Internacional do Vidro celebrado na Marinha Grande com diversas iniciativas

Notícia anterior

Equipa campeã de sub-17 no Canadá “mostra qualidade” do seu futebol em Portugal

Próxima notícia

Também pode gostar

Comentários

Comentários estão fechados

Mais em Destaque