Aveiro

São João da Madeira recebe exposição histórica sobre programas culturais da RTP

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O Centro de Arte Oliva, em São João da Madeira, no distrito de Aveiro, vai acolher uma exposição sobre a história dos programas culturais da RTP que terá ainda três espaços satélites em Guimarães, Braga e Elvas.

Organizada pelo Centro de Arte Oliva, onde será apresentada de forma mais extensa, de 07 de fevereiro a 28 de junho, a exposição “Zapping: televisão como cultura e contracultura” é dedicada à história dos programas culturais da RTP, assim como a artistas, nacionais e internacionais, que têm trabalhado com, sobre ou para a televisão desde a década de 1950.

A exposição nasceu de uma ideia antiga da curadora Paula Pinto, que ainda não tinha sido concretizada devido a dificuldades em aceder aos conteúdos do arquivo da estação pública, pois “é um serviço público, mas de difícil acesso”, como reconheceu a própria.

“A programação televisiva e a gestão/disponibilização de conteúdos são serviços distintos e para além do acesso, existem outras questões problemáticas relacionadas com a sua exposição por terceiros, como os usos e os direitos de autor, etc”, explicou a curadora, adiantando que antes da existência dos arquivos ‘online’ da RTP, “a mediação para uma possível investigação era extremamente difícil”.

Paula Pinto referiu que este cenário tem vindo a mudar, sobretudo depois da pandemia, com a “quantidade extraordinária de conteúdos que está progressivamente a ser disponibilizada online”.

A exposição inclui obras de 28 artistas, cinco dos quais criaram obras propositadamente para este projeto sob encomenda (Antoni Muntadas, Mariana Vilanova, Ângela Ferreira, Rosa Baptista e Nuno Nunes-Ferreira), propondo uma leitura alargada sobre a televisão enquanto fenómeno sociotécnico, cultural e político, e sobre a sua apropriação crítica no campo das práticas artísticas.

“Era importante pensarmos, por um lado, toda essa questão sociotécnica da televisão, quais foram as promessas subjacentes à sua invenção, como é que doméstica e socialmente nos adaptámos à entrada do aparelho televisivo no lar e à extraordinária transformação da sua programação, mas também quais foram as interferências das suas progressivas transformações tecnológicas, desde a emissão à receção e vice-versa. Mas interessou-nos igualmente, enquanto investigadores e curadores, perceber como é que os artistas sempre se interessaram por usar a televisão, quer fosse como um veículo, como um ‘medium’ ou como mero suporte para a cultura e para a contracultura”, explicou Paula Pinto.

Com curadoria de Paula Pinto, Alexandra Areia, Joaquim Moreno e Vera Carmo, o projeto organiza-se em cinco núcleos temáticos – fronteira, resolução, receção, cor e memória – que articulam a análise de programas culturais da RTP com obras de artistas que utilizaram a televisão como veículo, meio ou suporte de cultura e contracultura.

No Centro de Arte Oliva, onde a exposição terá o seu corpo central, estes núcleos estruturam-se através de alinhamentos temáticos de emissões culturais, que traçam uma história crítica da televisão portuguesa e das suas transformações tecnológicas, sociais e políticas.

Para além disso haverá três espaços satélites, onde a exposição se desdobra através da apresentação de obras e encomendas específicas, aprofundando temas e abordagens já latentes no núcleo central do projeto.

Um desses espaços é o Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura (CAAA), em Guimarães, que irá apresentar já a partir de sábado uma encomenda da artista Mariana Vilanova, desenvolvida em diálogo com o programa televisivo “Ensaio” (1972), de João Martins.

No gnration, em Braga (17 janeiro a 18 de abril) são apresentadas três obras do artista catalão Antoni Muntadas, cuja prática crítica sobre os media e, em particular, sobre a televisão, se desenvolve há mais de meio século.

Finalmente, no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (23 de maio a 30 de agosto) serão apresentadas três obras da artista luso-sul-africana Ângela Ferreira, centradas nas relações entre ‘media’, política, censura, dissidência e processos de descolonização.

Notícias do Centro | Lusa

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