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São João da Madeira edita livro sobre biodiversidade do rio Ul

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Aves, répteis, anfíbios, insetos, plantas e fungos são algumas das classes de fauna e flora abordadas no livro “A Biodiversidade do Parque do Rio Ul”, lançado esta semana para divulgar esse ecossistema de São João da Madeira.

A publicação, de 240 páginas, é editada pela Câmara de São João da Madeira, distrito de Aveiro, e tem coordenação da engenheira do ambiente Vera Neves, resultando de um estudo envolvendo várias entidades e a revisão científica do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.

Integralmente ilustrado, o livro identifica ainda peixes, mamíferos e invertebrados cuja presença no Parque do Ul contribui para o universo local de 189 espécies de fauna, 229 de flora e 44 de fungos.

“Apesar de localizado numa área bastante urbanizada, este espaço verde apresenta uma biodiversidade surpreendente, fazendo do rio Ul um verdadeiro oásis para inúmeras espécies”, declarou à Lusa Vera Neves.

O estudo do local foi realizado em 2018 e, embora concretizado numa única campanha, “permitiu detetar logo a presença de 202 táxones de flora vascular e 57 espécies de fauna selvagem”.

A coordenadora do livro realçou que essa ação de campo resultou ainda na “identificação de espécies que, à época, ainda não estavam associadas ao Ul” e “a confirmação fotográfica da presença de outras”, das quais anteriormente também não havia registo.

Umas e outras estão identificadas ao longo das 240 páginas da publicação, em fichas detalhadas que incluem o nome vernacular e científico de cada espécie, o autor e a data da sua primeira descrição, o seu nível de risco de extinção em Portugal Continental, a família e o tamanho dos respetivos espécimes, o seu grau de distribuição no país, a descrição das suas principais características, o retrato do seu habitat mais frequente e o tipo de dieta que pratica.

Vera Neves defende que toda essa biodiversidade foi potenciada pelas obras de realinhamento e alargamento realizadas na envolvente do rio Ul antes de 2008, ano da inauguração formal do respetivo parque, com base num projeto de arquitetura paisagística coordenado por Sidónio Pardal.

“A construção de açudes, a criação de albufeiras, a implementação de um sistema de rega e a plantação de árvores favoreceu estes 20 hectares de terreno, onde agora é possível encontrar vários habitats que servem de suporte a um grande número de espécies”, realça a engenheira, que também lidera a equipa municipal de técnicos do ambiente.

Devido às ações de florestação, o parque do Ul apresenta agora quer “fragmentos e resquícios de ecossistemas típicos da região, caracterizados pela presença de árvores de grande porte como carvalhos e pinheiros anteriores à requalificação”, quer uma nova e jovem floresta que, plantada por habitantes e alunos do concelho nos primeiros anos após a inauguração, integra atualmente “mais de 2.000 exemplares de espécies arbóreas”.

O livro “A Biodiversidade do Parque do Rio Ul” apela, por isso, a que a comunidade local mantenha o seu vínculo a esse curso de água e ao respetivo ecossistema, ajudando a monitorizar as condições de vida da zona e as espécies que dela beneficiam.

“A inventariação das espécies do parque é um trabalho contínuo e, ao longo dos anos, teve um crescimento indissociável da ação de cidadãos interessados nestes temas. Cada pessoa pode continuar a fazer o seu papel ao registar as suas observações de espécies nas plataformas de ciência cidadã disponíveis para o efeito, o que ajudará à divulgação e exploração da riqueza natural deste espaço”, conclui Vera Neves.

Notícias do Centro | Lusa

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