Mundo

Rússia congratula-se que EUA e União Europeia tenham “deixado de colocar obstáculos” a acordos

0

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, congratulou-se hoje que Washington e Bruxelas tenham deixado de dificultar os acordos assinados para exportar cereais ucranianos e russos, considerando artificiais as tentativas de acusar Moscovo de provocar uma crise alimentar.

“É gratificante que Washington e Bruxelas tenham deixado de colocar obstáculos aos acordos hoje alcançados”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo em declaração difundida pelo seu ministério.

A Ucrânia e a Rússia assinaram hoje acordos separados com a Turquia e a ONU para desbloquear a exportação de cerca de 25 milhões de toneladas de cereais retidos nos portos do Mar Negro.

Numa cerimónia realizada no Palácio Dolmabahçe, na cidade turca de Istambul, com a parceria da Turquia e da ONU, foram assinados dois documentos – já que a Ucrânia recusou assinar o mesmo papel que a Rússia – e devendo o acordo vigorar durante quatro meses, sendo, no entanto, renovável.

Segundo Lavrov, “a assinatura do memorando Rússia-ONU demonstra uma vez mais o caráter absolutamente artificial das tentativas do ocidente em atribuir à Rússia a culpa pelos problemas de fornecimento de cereais no mercado internacional”.

“Esperamos que sejam adotadas em breve todas as medidas necessárias para o efetivo cumprimento dos ditos acordos”, indicou.

O titular da diplomacia externa do Kremlin sublinhou a importância de que a ONU coopere de forma efetiva neste processo e que a comunidade internacional, incluindo os países ocidentais, assumam “uma abordagem construtiva” sobre esta questão.

“Atendendo à importante contribuição dos produtos agrícolas russos e ucranianos nos mercados mundiais, a garantia da sua exportação ininterrupta responde aos prementes desafios de manter a segurança alimentar, em particular nos países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos”, assinalou.

Segundo Lavrov, este acordo “deveria contribuir para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo a erradicação da fome”.

Em Istambul, e para além do relativo às exportações de cereais ucranianos, também foi assinado outro acordo sobre a exportação de produtos agrícolas e fertilizantes russos.

Lavrov frisou que, desde o início, as duas propostas estavam incluídas num “pacote” apresentado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e apoiado pela presidência russa, mas Kiev sabotou a vinculação entre as duas partes.

“Mas apesar de tudo, por fim conseguimos conservar, devido aos esforços da delegação russa, o caráter integral, despolitizado do ‘pacote’ com o qual se garantiu o maior avanço possível ao encontro dos países em vias de desenvolvimento, os importadores de produtos alimentares”, indicou.

O chefe da diplomacia de Moscovo acrescentou que a Rússia “continuará fiel aos seus compromissos nesta esfera”.

“A utilização de alimentos por parte dos Estados Unidos e seus aliados em benefício das suas aventuras geopolíticas é inadmissível e inumano”, denunciou.

Os acordos de hoje sobre a exportação de cereais a partir dos portos ucranianos foram assinados pelo ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, e pelo ministro das Infraestruturas ucraniano, Oleksandr Kubrakov.

Cada um assinou um acordo, com textos iguais, com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar.

A cerimónia contou também com a presença do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Notícias do Centro | Lusa

Ucrânia: Portugal saúda desbloqueio de cereais mas teme que Rússia não cumpra

Notícia anterior

Acidente com máquina provoca vítima mortal em Soure

Próxima notícia

Também pode gostar

Comentários

Comentários estão fechados

Mais em Mundo