A Rota N222, destinada a promover uma das mais belas estradas do mundo, homenageou o ex-piloto Pedro Matos Chaves, esta terça-feira, num evento realizado na sede da organização, em Caldas de Aregos (Resende). Um momento especial para o bicampeão nacional de ralis e ex-piloto de Fórmula 1, que recordou a sua ligação familiar e afetiva à região do Douro.
Os 226 quilómetros da Estrada Nacional 222 são um dos mais belos itinerários do mundo, atravessando Portugal desde a costa, no concelho de Vila Nova de Gaia, quase até à fronteira com a vizinha Espanha, já no concelho de Vila Nova de Foz Côa. Foi junto ao marco do Km 97 da EN222, situado em Caldas de Aregos, a sede da Rota N222, que Pedro Matos Chaves foi homenageado esta terça-feira, pela sua ligação histórica a esta estrada e à região duriense.
A iniciativa incluiu um percurso simbólico entre Resende e Lamego, atravessando alguns dos deslumbrantes cenários do Douro Vinhateiro. Ao volante, Pedro Matos Chaves reviveu memórias de juventude ligadas a esta região, acompanhado por elementos da direção da Rota N222, liderada por Nuno Inácio. No regresso a Caldas de Aregos, o ex-piloto recebeu uma placa de homenagem e um kit oficial da Rota N222, perante amigos e personalidades ligadas à sua carreira, que atravessa quatro décadas.
Na sessão de tributo, conduzida pelo jornalista Ricardo S. Araújo, Matos Chaves evocou a sua ligação pessoal à EN222 e às paisagens do Douro, recordando os tempos passados na Quinta de Ventozelo, em São João da Pesqueira, então propriedade da sua família.
“Sempre que regresso ao Douro sinto uma ligação muito especial, não só pelas memórias, mas também porque esta estrada é única”, afirmou o ex-piloto durante a cerimónia.
“As minhas primeiras memórias da EN222 são de 1972, quando fazia essa estrada ao lado do meu avô e do meu pai. Era uma aventura! Mais tarde, as vindimas em Ventozelo foram uma parte importante da minha juventude. Eu e os meus primos descíamos o caminho de terra já dentro da quinta numa carrinha Bedford de caixa aberta. Foi esse trabalho nas vindimas que me ajudou a financiar os primeiros passos no karting, nos anos 80. Hoje, como dantes, ninguém fica indiferente a esta região. O Douro tem esta magia de cativar pela beleza, pela gastronomia, pelas suas gentes e tradições. Tive o privilégio de viajar muito e ver muita coisa ao longo da minha carreira, nos diferentes continentes. Mas a EN222 é, sem dúvida, uma das estradas mais bonitas do mundo”, sublinhou.
Nuno Inácio, presidente da Rota N222, enalteceu a relevância de homenagear figuras com o percurso e a projeção internacional de Pedro Matos Chaves. “O Pedro levou o nome de Portugal às mais altas competições internacionais e faz todo o sentido reconhecermos a ligação dele ao Douro e à EN222. Queremos associar esta estrada a figuras que, nas respetivas áreas, mostraram o que Portugal tem de melhor”, afirmou Nuno Inácio.
O dirigente reforçou ainda que a missão da Rota N222 passa por valorizar o território e criar ligações entre as comunidades dos nove concelhos que são atravessados pela EN222: Vila Nova de Gaia, Castelo de Paiva, Cinfães, Resende, Lamego, Armamar, Tabuaço, São João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa. Recorde-se que a EN222 ganhou ainda maior projeção internacional em 2015, quando foi eleita “a melhor estrada do mundo para conduzir” (“World’s Best Driving Road”) pela multinacional Avis.
Natural do Porto, Pedro Matos Chaves construiu uma das mais brilhantes carreiras do automobilismo português, com títulos em Portugal e no estrangeiro, em diferentes modalidades. Venceu o Troféu Toyota Starlet (em 1985), foi vice-campeão nacional (1986) e campeão britânico (1987) de Fórmula Ford, e depois campeão britânico de Fórmula 3000, em 1990.
No ano seguinte, chegou ao Campeonato do Mundo de Fórmula 1, disputando a pré-qualificação de 13 Grandes Prémios, com a pouco competitiva Coloni. Rumou aos Estados Unidos da América e ao Canadá, para três temporadas na Fórmula Indy Lights, onde venceu uma corrida, em Vancouver. Direcionou, depois, a sua carreira para os ralis, onde se sagrou campeão nacional por duas vezes, em 1999 e 2000, e representou as equipas oficiais da Toyota e da Renault em Portugal. Venceu, ainda, o Campeonato de Espanha de GT, provando novamente a sua versatilidade. Atualmente, é o coordenador desportivo do Clio Trophy Portugal, promovido pela Renault.













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