Utentes da CERCI Guarda e elementos da Associação PALOP estão a trabalhar na criação do espectáculo musical ‘Interior Sonoro’, que cruza arte e inclusão e tem estreia marcada para 04 de julho no Teatro Municipal da Guarda (TMG).
Concebido pelo músico Luís Sequeira, com o apoio da Câmara da Guarda e do programa Centro2030 – Inclusão pela Cultura, o projeto foi hoje apresentado no café-concerto do TMG.
“O ‘Interior Sonoro’ é um projeto de cariz intercultural e para reforçar o sentido de comunidade através da criação de uma obra musical multidisciplinar”, disse o autor à agência Lusa.
Luís Sequeira adiantou que este trabalho vem na sequência de outro projeto da sua autoria realizado na Guarda e intitulado ‘Beat na Montanha’, que envolveu alunos das escolas da cidade e utentes da Aldeia SOS local.
Desta vez, a ideia é “abrir um leque de opções, não só na parte educacional, a nível pedagógico e educativo, mas também como obra final em si, será uma obra de maiores dimensões, porque inclui teatro, coisa que não acontecia no projeto anterior”, referiu.
Os cerca de 50 participantes – 34 da CERCIG [Cooperativa para Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Guarda] e 16 da Associação PALOP, formada por estudantes e trabalhadores de países africanos de língua oficial portuguesa radicados na Guarda – estão a frequentar sessões semanais de música, teatro, escrita terapêutica, fotografia, expressão corporal e “mindfulness”.
O eixo ‘Sombra, Sonho e Trauma’ é o guião desta criação, que tem direção artística de B.Riddim (Luís Sequeira), também autor da dramaturgia, da música e realizador de um documentário sobre o projeto.
Colaboram, como formadores, o rapper Maze (André Neves), dos Dealema (escrita terapêutica criativa), Joana Cavaleiro (encenação), Miguel Silva (fotografia/imagem), Hugo Quelhas (escrita criativa) e Vanessa Rei (psicóloga).
Os participantes vão começar a trabalhar em conjunto a partir da segunda quinzena de abril.
“Vão conhecer-se e criar laços também mais afetivos, de amizade. Cada pessoa, cada participante, tem uma história completamente diferente. E é uma magia descobrir isso ao longo do processo criativo”, realçou.
O espetáculo final será um musical com “muito rap, muito hip-hop, aos quais vamos acrescentar uma carga teatral para falar de emoções, vamos trazer também alguma ironia e crítica social para chamar a atenção do público para as comunidades imigrantes e para as pessoas que têm algumas incapacidades motoras e cognitivas. Será um abre olhos”, garantiu.
Paralelamente, está a ser realizada um documentário com três episódios sobre o andamento do projeto.
Já a psicóloga Vanessa Rei está a fazer um estudo “qualitativo e quantitativo” sobre o impacto do ‘Interior Sonoro’ nos participantes
“O objetivo é ver a sua evolução ao longo do tempo e também nos servirá como métricas para que, no futuro, as possamos apresentar e tê-las também como objeto de estudo para outros projetos que possam eventualmente surgir”, justifica.
No dia da estreia do espetáculo, a 04 de julho, será ainda apresentado um livro com o conteúdo do processo criativo e um álbum de temas originais do ‘Interior Sonoro’.
Na sessão de apresentação, Cláudia Guedes, vereadora com o pelouro da Cultura na Câmara da Guarda, considerou que a iniciativa “é mais do que um projeto artístico, é a prova de que a arte e a cultura podem fazer a diferença”.
Paula Machado, da administração da CERCIG, afirmou que esta experiência tem sido para os utentes da instituição “uma terapia pela arte ou mesmo arte com terapia”.
Por último, Rafaela Lourenço, da Associação PALOP, confessou que, “no início, houve muitas incertezas, mas agora há muita gente a cantar, a dançar e a compor, e esta descoberta de talentos devemos muito aos nossos formadores”.












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