O presidente da distrital de Viseu do PS, José Rui Cruz, disse hoje à agência Lusa que o resultado das legislativas “é histórico no partido”, que não imaginava uma vitória “tão larga” e que, por isso, declarou “extinto o ‘cavaquistão’”.
“Confesso que não imaginava uma vitória tão larga. Eu, em jeito de brincadeira, disse, na sede do partido, que declarava extinto o ‘cavaquistão’ e acho que sim, que é um fim”, disse José Rui Cruz à agência Lusa.
O presidente da distrital do PS de Viseu foi eleito no domingo deputado, numa lista encabeçada por João Azevedo. Pelo PS, também foram eleitos Lúcia Araújo Silva e João Paulo Rebelo, os mesmos de 2019.
Este domingo, o PS obteve 41,55% dos votos, enquanto o PSD conseguiu 36,79%, num distrito que ganhou o epíteto de “cavaquistão” devido às maiorias absolutas conseguidas no tempo de Cavaco Silva.
“O nosso objetivo no distrito era ganhar as eleições por um voto. Nós pedíamos a vitória por um voto e as pessoas foram generosas connosco. Dá-nos uma responsabilidade acrescida, mas também somos capazes de responder a isso”, assumiu.
José Rui Cruz destacou que este resultado “é histórico no partido”, já que “em quase 50 anos de 25 de Abril, daqui a dois anos, esta é a primeira vez que acontece um resultado destes”, já que o PS venceu em 2005.
Nesse ano, conquistou 40,41% dos votos e quatro mandatos, tantos como o PSD, que conquistou 40,18% do eleitorado (com menos 495 votos), enquanto o CDS-PP elegeu um deputado, com 8,63% da votação.
Nestas eleições, disse o responsável, o PS venceu “na capital de distrito, o que é muito simbólico, e em 17 dos 24 concelhos”.
Em relação a 2019, o partido subiu “14.000 votos, mais cinco pontos percentuais do que o PSD e mais quase 9.000 votos”.
“É um resultado que nós próprios não tínhamos noção da dimensão”, assumiu.
Neste sentido, disse que “é claramente o distrito a confiar naquilo que foram as propostas” do PS e, apesar de reconhecer que “o eleitorado fez a diferença entre António Costa e Rui Rio, também no distrito percebeu as diferenças entre o programa eleitoral” dos dois partidos.
“E os próprios candidatos, já que tínhamos uma lista de gente conhecida, com conhecimento dos problemas do distrito e o PSD tinha uma lista completamente renovada, o que pode ter vantagens e desvantagens, mas que não conhecia nitidamente a realidade e os problemas do distrito”, apontou.
José Rui Cruz considerou também que o resultado se deveu “à proximidade do PS com os anseios de cada um dos concelhos”, uma vez que no manifesto eleitoral “constam compromissos que resultam dos problemas das pessoas” no distrito.
“Não pudemos colocar tudo aquilo que gostaríamos, porque é impossível, mas o que colocámos, foi o que conseguimos negociar com o nosso secretário-geral e com a tutela do nosso partido, como sendo possível de resolver e as pessoas entenderam como um bom programa”, defendeu.
O PS alcançou a maioria absoluta nas legislativas de domingo e uma vantagem superior a 13 pontos percentuais sobre o PSD, numa eleição que consagrou o Chega como a terceira força política do parlamento.
Com 41,7% dos votos e 117 deputados no parlamento, quando estão ainda por atribuir os quatro mandatos dos círculos da emigração, António Costa alcança a segunda maioria absoluta da história do Partido Socialista, depois da de José Sócrates em 2005.
O PSD ficou em segundo lugar, com 27,80% dos votos e 71 deputados, a que se somam mais cinco eleitos em coligações na Madeira e nos Açores, enquanto o Chega alcançou o terceiro lugar, com 7,15% e 12 deputados, a Iniciativa Liberal (IL) ficou em quarto, com 5% e oito deputados, e o Bloco de Esquerda em sexto, com 4,46% e cinco deputados.
A CDU com 4,39% elegeu seis deputados, o PAN com 1,53% terá um deputado, e o Livre, com 1,28% também um deputado. O CDS-PP alcançou 1,61% dos votos, mas não elegeu qualquer parlamentar.
A abstenção desceu para os 42,04% depois nas legislativas de 2019 ter alcançado os 51,4%.













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