Viseu

Projeto identifica Oliveira de Frades como um dos concelhos em que o pinheiro se desenvolve melhor

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 Um estudo realizado em nove concelhos do norte e centro de Portugal revelou que Oliveira de Frades é o município em que o pinheiro-radiata cresceu mais e melhor, disse hoje à agência Lusa um responsável do projeto.

“De todos os ensaios, o que teve melhores resultados foi o de Oliveira de Frades. Nas 10 famílias de pinheiros, o crescimento, em cinco anos, foi bom e, até visualmente, muito mais impactante”, revelou o responsável de um estudo da Sonae Arauco, Nuno Calado.

Os solos arenosos, acrescentou, “são onde se reproduzem menos; os graníticos são mais férteis e onde os pinheiros cresceram mais, e só depois os de xisto, como entre Arouca e Ribeira de Pena, como que o segundo lugar no pódio” deste estudo preliminar que será apresentado no último fim de semana de maio em Albergaria-a-Velha.

O projeto arrancou em 2020, com sementes de pinheiro oriundas de Portugal, Espanha, França e Chile.

Os concelhos em causa são Pombal (distrito de Leiria), Figueira da Foz e Lousã (Coimbra), Mangualde e Oliveira de Frades (Viseu), Arouca (Aveiro), Ribeira de Pena (Vila Real), Cabeceiras de Basto (Braga) e e Vila Nova de Cerveira (Viana do Castelo).

Em avaliação estiveram 244 famílias/proveniências e foram medidas a sobrevivência, o crescimento e a qualidade, num total de 42 mil árvores para 12 ensaios em 35 hectares dos vários concelhos com diferentes solos e climas.

Este estudo/experiência destacou 10 famílias de pinheiro-radiata que revelam “um crescimento médio de 26% em relação a outras famílias de pinheiro”.

Ou seja, há um ganho de 26% na mesma quantidade de área, revelando-se mais madeira para a indústria, mas também mais retorno económico para o produtor, porque é mais produção na mesma área com os mesmos recursos e em menos tempo” de crescimento.

Segundo este responsável, a ideia para este estudo sobre as espécies de pinheiro que melhor se desenvolvem, em qualidade e rapidez, surgiu após os incêndios de 2017.

“Assistimos, nos últimos anos, a alguma perda de pinhal, ao abandono e falta de gestão florestal e quisemos dar um contributo para aquilo que representa a perda de rentabilidade para a produção florestal e perda de matéria-prima para a indústria”, justificou.

Assim, a Sonae Arauco, com base num programa de melhoramento do pinheiro que “o parceiro Arauco faz há décadas”, iniciou este estudo.

“A simples escolha da planta, e da sua qualidade, pode determinar mais ou menos produtividade e rentabilidade, associado a muitas outras coisas, mas a escolha da planta é determinante”, afirmou.

Nuno Calado disse que estas 10 famílias que se destacam pelo desenvolvimento “vão ter sempre uma qualidade superior ao pinheiro dito comercial, porque estas espécies iam sendo cruzadas entre as melhores”, desde que começou o estudo no Chile.

Este responsável pelo estudo em Portugal garantiu à agência Lusa que não quer “impor, de forma nenhuma, estas espécies” no território nacional, mas “é necessário analisar o terreno em que vão ser plantadas as espécies de pinheiro e fazer as melhores opções, ou seja, há mais alternativas para os produtores e indústria” com esta conclusão.

“O que nós queremos é dotar os nossos produtores florestais de um portefólio de qualidade superior para que possam escolher a espécie certa para o local certo, para que tenham a melhor rentabilidade possível”.

Nuno Calado disse que na Sonae Arauco usam tanto o pinheiro-radiata, como o pinheiro-bravo português melhorado, e o objetivo é “continuar a monitorizar e investigar” as espécies de pinheiro, assim como “outras espécies e famílias” que já estão em estudo.

Notícias do Centro | Lusa

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