A Câmara de Ílhavo quer que os restaurantes apresentem ostras e outros bivalves da ria nas ementas, para aproximar a produção aos consumidores, disse hoje à Lusa fonte municipal.
Anualmente são produzidas na Ria de Aveiro, nomeadamente no Canal de Mira, concelho de Ílhavo, centenas de toneladas de ostras que são destinadas quase na totalidade para exportação, nomeadamente para mercados como a França e a Bélgica.
Já em 1870, o marquês de Nisa propôs ficar com a exploração das ostras da ria de Aveiro e do Algarve, com vista à exportação para França, propondo-se pagar determinada quantia aos cofres do Reino pela concessão, segundo documentos da época.
Apesar disso, o consumo de ostras não figura na dieta alimentar das populações locais e tem passado ao lado das ementas dos restaurantes do município.
Dando seguimento a um projeto iniciado no executivo anterior, a Câmara de Ílhavo está apostada em fomentar o consumo local das ostras e de outros bivalves da ria, podendo tornar-se um chamariz gastronómico de atração turística.
Com esse objetivo realizou segunda-feira mais uma sessão de ‘masterclasses’ gratuitas, sobre a confeção de ostras e outros bivalves da ria de Aveiro, dirigida aos profissionais e proprietários de estabelecimentos de restauração do município de Ílhavo.
“O grande objetivo é a notoriedade, ou seja, nós queremos que as ostras e os outros bivalves que são capturados ou produzidos na nossa Ria sejam localmente apreciados”, revela a vereadora Mariana Ramos.
Mariana Ramos salienta que a produção e apanha de bivalves “é uma atividade que tem um peso económico enormíssimo do ponto de vista do envolvimento de muitas famílias do município”, razão pela qual a câmara quer também estimular o seu consumo local.
De acordo com os dados referidos à Lusa pela autarca, existem atualmente 50 mariscadores no concelho de Ílhavo e 26 produtores de ostras, a exercerem legalmente a atividade.
“Para esta aposta é muito importante o estudo que se fez das características e das qualidades organolépticas dos produtos, e todo o tipo de análises bioquímicas feitas no âmbito deste projeto, para melhor conhecermos a qualidade intrínseca do nosso produto final”, diz.
A vereadora da Câmara de Ílhavo diz que “é muito importante colocar a restauração a trabalhar no sentido de apresentar um produto final apelativo, que estimule o consumo local e funcione como uma experiência também para o consumidor residente ou que visita o município”.
Segundo Mariana Ramos, as ações de formação dirigidas para os restaurantes locais surgem da necessidade verificada de conhecerem as espécies produzidas e as qualidades características de cada produto porque se verificou haver “pouca experiência”, nomeadamente em trabalhar pratos com ostras.
“Por isso temos os chefes a demonstrar a forma de trabalhar o produto com técnicas inovadoras, mas também a tradição culinária regional, porque existe algum enquadramento histórico relativamente ao consumo e à produção dos bivalves, das ostras e dos outros produtos aqui da nossa ria”, explicou.
“Existe esta necessidade de o consumidor ter esta experiência daquilo que é produzido cá. Todos sabemos que é muito diferente consumir no local onde é produzido, do ponto de vista do sabor”, observa.
As ações inserem-se no projeto “Ostras e Outros Bivalves da Ria de Aveiro – Município de Ílhavo”, promovido pela câmara e financiado por fundos europeus, que visa “aumentar a valorização das mais-valias económicas do município e potenciar a criação de um emprego mais sustentável através do incremento dos recursos endógenos”.











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