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Músico e escritor Luca Argel revisita história política do samba em Coimbra

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O músico, poeta e escritor luso-brasileiro Luca Argel vai levar à cidade de Coimbra, na próxima semana, um espetáculo multidisciplinar, que promete resgatar a memória política e as vozes do samba, divulgou hoje a Câmara Municipal.

“O manifesto sonoro e visual, concebido pelo músico, poeta e escritor luso-brasileiro Luca Argel, propõe uma experiência transversal que cruza música, narração e ilustração ao vivo, resgatando a memória política do samba e das vozes que, ao longo da história, foram muitas vezes invisibilizadas”.

O espetáculo ‘Samba de Guerrilha’ está agendado para as 21:30 de quarta-feira, no Grande Auditório do Convento São Francisco, na cidade de Coimbra.

Ao combinar palavra, ritmo e imagem, o espetáculo ‘Samba de Guerrilha’ convida o público para “uma viagem imersiva que sugere não apenas escutar, mas também recordar, sentir e refletir sobre a arte enquanto espaço de memória e de resistência”.

Em palco, Luca Argel é acompanhado pela sua ‘Banda de Guerrilha’, num espetáculo que “reinventa o samba através de arranjos elétricos e experimentais, afastando-o de uma leitura nostálgica”.

“A dimensão musical é entrelaçada com a narração da atriz Nádia Yracema, que dá voz às histórias de resistência negra no Brasil, e com a ilustração em tempo real do artista António Jorge Gonçalves, cujos desenhos vão surgindo ao longo da apresentação”.

De acordo com a Câmara de Coimbra, o espetáculo parte da convicção de que o samba sempre foi mais do que um género musical, mergulhando na tradição de resistência que acompanha esta expressão cultural nascida nos morros, terreiros e subúrbios do Brasil.

“Entre ritmos, histórias e imagens, ‘Samba de Guerrilha’ recupera episódios, personagens e canções que enfrentaram a escravatura, o racismo, a pobreza e, mais tarde, a repressão das ditaduras, revelando o samba como arma, escudo e território de resistência”.

Lançado em álbum em 2021, ‘Samba de Guerrilha’ foi “amplamente aclamado pela crítica” e integrou a lista de Melhores Discos do Ano da Antena 3, afirmando-se como “uma das obras mais relevantes e ousadas da música luso-brasileira contemporânea”.

O espetáculo insere-se na programação associada à exposição ‘Meridianos do Futuro. A Casa dos Estudantes do Império de Coimbra (1945–1965)’, que vai estar patente no Convento São Francisco a partir do final deste mês.

Esta é uma mostra coorganizada pela Câmara Municipal de Coimbra e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que tem curadoria dos investigadores Helena Wakim Moreno e Miguel Cardina.

Aborda a atividade cultural desenvolvida a partir da delegação de Coimbra da Casa dos Estudantes do Império e o seu papel na construção de identidades africanas, na relação com outros espaços e estruturas da cidade e na politização de um meio estudantil em profunda transformação.

Notícias do Centro | Lusa

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