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Marcelo Luna afirma que foi na Nazaré que se tornou surfista

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O surfista brasileiro Marcelo Luna fez história ao assinar um contrato profissional com o Corinthians, um ponto alto de uma carreira numa modalidade que, como o próprio confessa, lhe salvou a vida.

“É um sonho tornado realidade porque é o clube do meu coração”, referiu o surfista de ondas gigantes, que tem surfado na Praia do Norte, na Nazaré, mas que, à semelhança da maioria das crianças brasileiras, teve no futebol a primeira paixão.

O ‘big rider’, natural de São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, conta que todo o processo com o Corinthians foi muito rápido.

No passado mês de março, deslocou-se às instalações do clube para conhecer as infraestruturas e, em poucos minutos, propuseram-lhe levar o símbolo do ‘Timão’ por todo o mundo.

“Um mês depois, mais precisamente no dia 13 de abril, já estava a assinar contrato”, explicou o surfista, de 37 anos, que fez questão de assinalar a data com uma tatuagem no braço direito.

Marcelo Luna refere que este é o ponto mais alto da carreira profissional, que já dura há sete anos, e destaca a importância de ser ao serviço do clube do coração, pois “tem ainda mais simbolismo”.

Mas a história de vida do brasileiro nem sempre foi feita de vitórias e, ainda muito novo, viveu um período bastante complicado.

“Aos nove anos já fumava cigarros e aos 11 já consumia droga”, recordou, contando que, naquela fase em que o skate era sua paixão, ainda teve de lidar com o afastamento do pai, que tinha uma dependência do álcool.

Habituado a viver com poucas posses, num bairro pobre que denomina de COHAB – “uma espécie de favela em pé” -, e com uma situação familiar que não o favorecia, tudo se conjugava para continuar por “caminhos perigosos”.

“Passei momentos realmente complicados durante esse período”, lembrou.

Foi então que o surf apareceu na sua vida, “como se de um milagre de Deus se tratasse”, ainda para mais para alguém que nem sequer sabe nadar.

Aos 16 anos, um amigo desafiou Marcelo Luna a experimentar surfar e, ainda que a primeira experiência não tenha corrido da melhor forma – quase se afogou -, foi nesse momento que começou a mudar o rumo da sua vida.

“Digo frequentemente que foi o surf que me salvou a vida e me tirou de um caminho que poderia ter um desfecho infeliz”, apontou o desportista, explicando que foi nesse dia, em 1999, que percebeu que queria ser surfista.

O brasileiro começou por trabalhar como empregado num restaurante, à noite, para conseguir treinar de manhã e, dessa forma, fazer um “pé-de-meia” para correr atrás do sonho.

“Formei-me em gestão de negócios, na área de matemática, tirei cursos de marketing e fui juntando algum dinheiro para realizar o sonho de ser profissional”, explica o brasileiro, que viria a tornar-se empresário no setor imobiliário.

No entanto, a formação profissional tinha um único propósito: viver do surf.

Curiosamente, foi durante este período, que durou uma década, que as ondas gigantes da Praia do Norte se tornaram famosas.

“Pensei imediatamente que queria ir para a Nazaré”, sublinhou, revelando que vendeu imóveis, bens e a empresa que havia criado e fez as malas para rumar a Portugal, em 2015.

Em menos de um ano tornou-se surfista profissional, já depois de ter surfado uma onda de 14 metros com uma rotura dos ligamentos do antebraço, que estava imobilizado, naquela que era a primeira experiência na Praia do Norte.

Desde então, as ondas gigantes e a Nazaré passaram a fazer parte da sua rotina.

“O surf salvou-me, mas foi na Nazaré que me tornei surfista”, salientou o ‘big rider’, que, por essa razão, já se sente “nazareno de coração” e tatuou, no braço esquerdo, o Forte de São Miguel Arcanjo, local emblemático para assistir às ondas gigantes da Praia do Norte.

Marcelo Luna já foi distinguido por três anos consecutivos (2017, 2018 e 2019) nos prémios Big Wave Awards, da World Surf League, por ondas surfadas na Praia do Norte, mas o caminho nem sempre foi de triunfos.

Uma queda aparatosa enquanto surfava e outra sofrida quando praticava snowboard, nos anos seguintes, levaram a que o sonho das ondas gigantes ficasse em ‘stand-by’ durante alguns meses.

Contudo, desistir, como o próprio sublinhou, nunca foi uma opção.

“Fiz a recuperação tendo sempre a motivação de que queria voltar ao mar e às ondas grandes”, justificou Marcelo Luna, que ao longo de sete anos já “apanhou” ondas na ordem dos 25 metros, mas que tem como objetivo próximo surfar em Teahupoo, no Taiti, naquela que é considerada uma das ondas mais mortais do mundo.

“Sinto-me realizado e, agora, ainda mais por saber que estou a representar o meu clube de sempre”, confessou o surfista, revelando que é no mar bravo que, paradoxalmente, encontra a calma e paz interior.

“No mar vemos que não somos mesmo nada e que, num instante, tudo acaba”, finalizou Marcelo Luna, que, apesar de não ter vivido uma infância fácil, soube “apanhar” a onda “certa” para uma carreira de sucesso.

Notícias do Centro | Lusa

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