Os artistas locais de Pombal, no distrito de Leiria, assumem o principal protagonismo na edição deste ano das Festas do Bodo, marcadas por uma alteração ao modelo habitual, em consequência da tempestade Kristin.
As festas vão realizar-se entre 23 e 28 de julho, abdicando das bandas e músicos nacionais que habitualmente encabeçam o programa artístico.
“Fomos confrontados com os desafios estruturais que a tempestade Kristin nos colocou, tal como aconteceu com outros municípios. Fomos um concelho bastante impactado por esta tempestade e havia que decidir se faríamos o Bodo ou não”, explicou à agência Lusa a vereadora Patrícia Rolo.
A decisão acabou por fazer na mesma, mas “uma edição especial”, focada “no nosso território e identidade”, apostando “em artistas locais e indo ao encontro das associações locais”.
“Tivemos como princípio não deixar passar as nossas festas, tão importantes para a nossa comunidade. Achámos que o Bodo tinha de se concretizar, ainda que em moldes diferentes”, acrescentou a vereadora que tem os pelouros da Cultura e Turismo e Promoção Territorial.
Com o lema “Bodo és tu”, as festas deste ano em Pombal procuram ser também um escape para “as pessoas que passaram por grandes dificuldades”.
“Acontecimentos como o deste tipo, em comunidade, também ajuda a saúde mental das pessoas”, considera Patrícia Rolo.
Sem os nomes sonantes de outros anos, o município de Pombal admite a quebra de visitantes de fora, mas acredita no envolvimento dos locais.
“As pessoas de Pombal vêm ao Bodo, os emigrantes que já marcam férias para virem ao Bodo, vêm na mesma. Se calhar vamos ter mais dificuldade em atrair público de fora, mas o público do concelho vai responder da mesma forma”.
A vereadora crê que quem passou pela destruição da tempestade percebe as mudanças na tradicional festa de Pombal, para fazer deste “um Bodo internalizado”.
“As pessoas que aqui viveram o que vivemos em janeiro percebem a necessidade de fazer esta adaptação e de apoiar internamente”.
“Penso que vamos ter adesão. Estamos muito mobilizados para fazer acontecer um Bodo que, apesar de diferente, possa ter um grande sucesso e trazer recursos para os artistas e associações locais”, reforçou a vereadora.
O programa musical de 2026 arranca no dia 23 de julho com Graciano Ricardo, prosseguindo com Iolanda (dia 24), a Filarmónica Artística Pombalense com The RoadHouse Band (dia 25), festival de folclore (dia 26), projeto “Se o teu Castelo falasse…”, dedicado ao fado (dia 27), e “Vozes de Pombal” (dia 28), com jovens e crianças do concelho que passaram por programas televisivos de talentos.
A festa reparte-se pelo Jardim do Cardal, Jardim das Tílias, largo do Cardal, largo do Arnado e pavilhão das atividades económicas.
Mantém-se ainda a programação religiosa e algumas atividades regulares, como o Baile da Pérgola, animação de rua, cãominhada, o concurso ‘Pet Influencer’ ou provas desportivas.
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As origens das Festas do Bodo perdem-se no tempo, mas reza a história que terão tido origem numa promessa feita na sequência de uma praga de gafanhotos e lagartas que atingiu a região, “invadindo ousadamente as habitações, contaminando os alimentos e até caindo em nuvem dentro dos vasos onde as mulheres levavam a água”, recorda o município.
Segundo a lenda, a “vexação era tão insuportável que obrigou o povo a ir à Igreja de S. Pedro, então matriz da vila”, iniciando “uma procissão de preces, que acabou na Capela de N.ª Sr.ª de Jerusalém”, prometendo-se então “uma festa, se esta os livrasse de tão grande calamidade”.
Em 2027, Pombal quer fazer regressar o Bodo ao modelo normal.
“A grande expectativa é voltar para o ano em força. Que não haja mais tempestades!”, concluiu Patrícia Rolo.











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