A Câmara de Leiria aprovou hoje o lançamento da requalificação e ampliação do Centro de Saúde Dr. Gorjão Henriques, para a instalação de um centro de diagnóstico integrado, no valor base de 380 mil euros.
O projeto resulta de uma parceria com a Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria, que candidatou este projeto-piloto ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), ficando responsável pela aquisição dos equipamentos, enquanto o município assume a execução da obra no edifício, que é sua propriedade.
Durante a reunião do executivo, a arquiteta Sandra Macedo explicou que a intervenção decorrerá no interior do edifício existente, através da adaptação de uma área com cerca de 70 metros quadrados.
“Tudo isto é novo. Mas dentro de um perímetro de um edifício que existia. Ou seja, dentro daquilo era como se fosse uma secretaria. Vamos fazer arquitetura de interiores”, adiantou, à margem da reunião.
Segundo aquela técnica do município de Leiria, a futura unidade “terá de cumprir um conjunto alargado de exigências técnicas e legais próprias de uma instalação de radiologia, tal como se fosse as de um edifício construído de raiz”.
A obra inclui a criação de uma sala de raio-X, um gabinete de observação, sala de espera, instalações sanitárias e vestiários, bem como a instalação de um quadro elétrico autónomo com gerador de emergência.
A sala de radiologia será “revestida com paredes forradas a chumbo para assegurar a proteção contra radiações”.
“São cerca de 13 diplomas legais que temos de cruzar”, referiu, acrescentando que será ainda necessário “reforçar o isolamento das paredes com, pelo menos, 10 centímetros de espessura, instalar pavimentos condutivos para proteger os equipamentos sensíveis e garantir todas as condições de segurança para profissionais e utentes”.
A sala foi escolhida por permitir acesso direto ao exterior e por se encontrar próxima das infraestruturas necessárias para garantir a alimentação elétrica, ventilação e climatização.
Após a aprovação do projeto de execução pela Câmara, seguirá agora o lançamento do concurso público para a empreitada prevista para três meses.
O investimento na obra ascende a 380 mil euros, acrescido de IVA à taxa de 06%.
A ULS de Leiria vai criar centros de diagnóstico integrado (CDI) em Leiria, Marinha Grande, Porto de Mós e Ourém, para reforçar a capacidade diagnóstica e a proximidade dos cuidados de saúde à população.
“Os novos centros de diagnóstico integrado irão disponibilizar exames de imagem, análises laboratoriais e outros procedimentos essenciais.
À agência Lusa, o presidente do conselho de administração da ULS da Região de Leiria, Manuel Carvalho, explicou, em dezembro de 2025, que esta medida resulta de uma “orientação da tutela”, tendo sido a ULS a definir “os locais onde seriam considerados prioritários”.
Segundo Manuel Carvalho, o objetivo primeiro é criar “uma descentralização em termos de resposta de cuidados de saúde de meios complementares de diagnóstico”, para que as pessoas não se desloquem para as urgências centrais.
“Ou seja, criar, por um lado, a proximidade e, ao mesmo tempo, indiretamente evitar que as pessoas venham fazer exames complementares para as urgências centrais”, declarou, referindo que os CDI “foram distribuídos pelos concelhos de maior distância e com maior densidade populacional”.
O responsável da ULS esclareceu que, no caso de Ourém, a escolha se deveu por ser o mais distante, Marinha Grande por ser uma zona industrial e ter uma urgência básica, e Leiria por ser a zona de maior índice populacional, possibilitando que possam ser feitos exames na periferia e as pessoas não tenham de ir para a urgência central, no Hospital de Santo André.
Os CDI contemplam raio-X e análises clínicas, sendo que a ULS vai complementar com um eletrocardiógrafo, para que “situações de baixa complexidade possam logo ser resolvidas”, realçou Manuel Carvalho.













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