Antigo bastião do PS, que governou durante 37 anos, a Guarda pode vir a ser, em 12 de outubro e pela primeira vez, gerida por um presidente de uma coligação entre Nós, Cidadãos! e Partido Popular Monárquico (PPM).
O xadrez político está completamente alterado no concelho sede do distrito, onde são agora os partidos tradicionais, PS e PSD, a tentarem conquistar o poder.
Depois de destronarem os socialistas em 2013, com Álvaro Amaro, os sociais-democratas foram derrotados em 2021 por um antigo militante e dirigente local do partido, que tinha sido preterido pela direção nacional do PSD.
Há quatro anos, Sérgio Costa causou surpresa ao conquistar a Câmara com uma candidatura independente e 601 votos de diferença relativamente a Carlos Chaves Monteiro, o candidato escolhido pelo PSD e que concorria pela primeira vez à presidência da autarquia.
Em 2025, há nova reviravolta, com Sérgio Costa a avançar como cabeça de lista da coligação Pela Guarda – Nós, Cidadãos!/PPM contra João Prata (PSD/CDS-PP/IL), António Monteirinho (PS), Luís Soares (Chega), José Pedro Branquinho (CDU) e a estreante Marina Brazete (ADN).
O atual executivo é governado pelos independentes do movimento Pela Guarda (PG), que venceu com 36,2% dos votos, sinónimo de maioria relativa, tendo os mesmos três vereadores que o PSD (33,6%), enquanto o PS (17,9%) tem apenas um, após ter registado o seu pior resultado de sempre na Guarda.
O PG também tem maioria relativa na Assembleia Municipal, a que preside, com 16 deputados contra 15 do PSD, dez do PS, um do CDS, um do Chega e um do Bloco de Esquerda.
Por causa da minoria no executivo, o mandato que está a terminar foi muito atribulado e ficou marcado por vários braços de ferro entre Sérgio Costa e a oposição, sobretudo a social-democrata.
Começou com um braço de ferro na delegação de competências no presidente recém-eleito, prosseguiu com chumbos de propostas, de planos de investimentos, de empresas municipais e de pedidos de empréstimo.
O culminar do confronto aconteceu no final de 2023, quando PS e PSD chumbaram o orçamento camarário de 2024, ano em que o município foi gerido por duodécimos, o que nunca tinha acontecido na Guarda.
Adversidades que já levaram o agora candidato a um segundo mandato, Sérgio Costa, a apelar aos eleitores que lhe deem uma “maioria absoluta” para governar, se for eleito, “com tranquilidade, sem bloqueios e sem chumbos”.
Houve ainda duas renúncias. Em junho de 2023, Luís Couto, que tinha sido o candidato do PS, abdicou do lugar em rutura com o partido após votar favoravelmente a criação de uma empresa municipal para gerir a habitação e o património da Câmara.
Em novembro desse ano, foi a vez de sair do executivo a vereadora do PG Diana Monteiro, que tinha os pelouros da Economia, Finanças e Desporto. Os motivos nunca foram esclarecidos.
Mais recentemente, a vice-presidente da Câmara, Amélia Fernandes, entregou o pelouro da Cultura ao presidente Sérgio Costa em desacordo com a estratégia seguida.
Com uma área de 712,11 quilómetros quadrados, o concelho da Guarda tem 43 freguesias e 40.046 habitantes, dos quais 20.882 são mulheres e 19.164 homens, segundo dados da Pordata.
Cerca de 62,5% da população do município está entre os 15 e os 64 anos, 26,8% tem mais de 65 anos e 10,7% tem idade inferior aos 15 anos.
O concelho registou uma variação populacional negativa de 91 pessoas entre 2021 e 2024 porque o saldo natural (menos 799 residentes) foi superior ao saldo migratório (mais 708 pessoas).
O valor mediano de avaliação bancária das casas para habitação na Guarda (preço por metro quadrado) aumentou 24,7%, para 909 euros, nos últimos quatro anos.
Com uma densidade populacional de 56 habitantes por quilómetro quadrado e um ganho médio mensal de 1.330,60 euros (inferior à média nacional de 1.460,80 euros), a Guarda tem nas indústrias transformadoras, no comércio a retalho e nos transportes e armazenagem os setores fundamentais para a economia local.













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