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Greve dos trabalhadores ferroviários britânicos afeta 80% dos comboios

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Uma greve de 24 horas dos trabalhadores ferroviários deverá afetar hoje 80 por cento dos comboios no Reino Unido, bem como parte da rede de metropolitano de Londres devido a uma disputa sobre salários e condições de trabalho. 

Mais de 40.000 funcionários de estações, manutenção, sinalização e limpeza de 14 operadores privados e da rede ferroviária Network Rail aderiram para tentar forçar as empresas a subir a oferta de aumentos salariais de 04%, aquém da atual taxa de inflação de 9,4%.

As negociações estão num impasse, tendo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Caminhos-de-Ferro, Marítimos e dos Transportes (SMT) acusado o governo de impedir as empresas ferroviárias de aumentarem o valor, apesar de o executivo não estar envolvido diretamente na disputa.

O secretário-geral do RMT, Mick Lynch, afirmou que o sindicato “continuará a negociar de boa-fé, mas não seremos intimidados nem enganados por ninguém”.

“O governo precisa de parar a interferência nesta disputa para que os empregadores ferroviários possam chegar a um acordo negociado connosco”, argumentou.

O ministro dos Transportes, Grant Shapps, acusou os líderes sindicais de “tentarem causar a maior perturbação possível na vida quotidiana de milhões de pessoas trabalhadoras em todo o país”.

Segundo Sapps, a greve foi “programada cinicamente” para perturbar a semifinal do campeonato Europeu de futebol feminino entre França e Alemanha que se realiza hoje em Milton Keynes, a norte de Londres, e a abertura dos Jogos da Commonwealth em Birmingham, na quinta-feira.

A greve, cujos efeitos se deverão prolongar para quinta-feira, também está a perturbar a circulação dos comboios Eurostar, que ligam Londres a Paris e Bruxelas numa altura em que muitas pessoas estão a partir de férias para o continente.

Os operadores ferroviários estão a condicionar as negociações com mudanças nos contratos, alegando a necessidade de tornar o negócio mais sustentável perante a queda no número de utilizadores, cada vez mais adeptos do teletrabalho.

Nos 12 meses até março registaram-se quase 1.000 milhões de viagens de comboio no Reino Unido, em comparação com 1.700 milhões nos 12 meses antes da pandemia, pelo que as empresas querem reduzir custos e pessoal.

O sindicato RMT já tinha convocado três greves de um dia no mês passado que interromperam os serviços em grande parte do país, e tem planeadas mais greves para sábado e para outros três dias em agosto.

Notícias do Centro | Lusa

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