A promessa antiga de agradecimento a Nossa Senhora dos Milagres pela sua ajuda na expulsão dos mouros voltou a ser cumprida este sábado (16 de maio) no Guardão, juntando largas centenas de pessoas. Os vereadores Helena Rodrigues e Francisco Fonseca marcaram presença neste evento religioso que se realiza há mais de 300 anos.
Tal como manda a tradição, as freguesias de Santiago de Besteiros, Campo de Besteiros e Castelões voltaram a subir à serra para se juntar aos habitantes do Guardão e com cruzes engalanadas cumprirem a promessa feita pelos seus antepassados.
Nesta edição, o povo voltou a levar à festa dezenas de cruzes enfeitadas com metais preciosos, pérolas e até elementos vegetais e frutos. As cruzes enfeitadas são um dos principais atrativos deste que é um dos eventos religiosos mais antigos no concelho.
“Esta é uma festa com uma longa história, com um passado enorme, mas é uma festa do presente, projetada para o futuro. E esse futuro só é possível graças a um enorme esforço das pessoas que possibilitam que celebremos mais e melhor”, disse o padre das paróquias do Guardão, Santiago de Besteiros e de Campo de Besteiros, João Zuzarte, no final da homilia da Festa das Cruzes.
Agradecendo a todos aqueles que participaram na manifestação de fé, o sacerdote salientou que a festa “só é possível” com a presença das pessoas. “É assim que se perpetua e se passa às gerações mais novas. Obrigado pela vossa participação e por engalanarem essas cruzes tão belas”, afirmou.
O pároco deixou também palavras de agradecimento aos mordomos, presidentes de junta e aos vereadores do executivo municipal que marcaram presença no evento religioso.
“Um agradecimento às entidades, aos senhores vereadores Helena Rodrigues e Francisco Fonseca pelo apoio que todos os anos manifestam e que é importante para esta festa ter esta força e simbolismo”, defendeu.
Há mais de três séculos que os povos de quatro freguesias do concelho de Tondela se juntam para manter viva a Festa das Cruzes que acontece sempre 40 dias depois da Páscoa, na Ascensão.
Com cruzes engalanadas, ladeadas por lanternas, os povos de Santiago de Besteiros, Campo de Besteiros e Castelões percorrem o mesmo itinerário ancestral, da Capela de São Bartolomeu até à Igreja do Guardão, ao som de ladainhas, para o abraço das suas cruzes com as da freguesia anfitriã. Este ritual simboliza a união das comunidades e a proteção dos campos.
São as cruzes e o seu abraço que tornam única esta manifestação de fé que se repete há séculos no mesmo espaço, num local marcado e já gasto no chão.
Após o abraço das cruzes celebra-se a eucaristia, que culmina com uma grande procissão em que participam as cruzes das quatro paróquias, centenas de fiéis e romeiros oriundos das localidades envolvidas neste culto religioso, mas também dos mais recônditos recantos serranos e de outras localidades da região.
O ano passado, pela mão da Câmara Municipal, a Festa das Cruzes passou a integrar o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, ganhando, desta forma, outra dimensão












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