Castelo Branco

Covilhã recebe de 21 e 29 de junho o mais antigo festival de arte urbana

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A criação de uma peça comunitária utilizando a técnica de esmirna é uma das novidades da 12.ª edição do Wool, o mais antigo festival de arte urbana no país, que se realiza de 21 a 29 de junho na Covilhã.

Durante os dias do festival vão ser pintados novos murais, um deles o de maior dimensão já criado no Wool, com 445 metros quadrados, pela mão do coletivo espanhol Boa Mistura, informou, em declarações à agência Lusa, Lara Seixo Rodrigues, uma das fundadoras do evento.

A espanhola Lidia Cao e o grego Stelios Pupet vão dar corpo a duas pinturas de média dimensão e a portuguesa Lígia Fernandes vai desenvolver vários murais de menor tamanho, com o envolvimento da comunidade.

O artista Ampparito, de Espanha, conhecido por utilizar o humor como ferramenta para a reflexão sobre a atualidade, ficará responsável pela criação de instalações.

Além da arte urbana, a programação conta com música, cinema, exposições, conferências e um conjunto de ações multidisciplinares “de intensa criação e ocupação do espaço público”, referiu a fundadora do Wool.

Segundo Lara Seixo Rodrigues, “pretende-se dar continuidade a uma missão de descentralizar a cultura, de usar a arte e a cultura para a inclusão, para a transformação do território”.

“Acreditamos que é com o envolvimento de todos que podemos ainda potenciar mais a transformação do território, e quando eu falo transformação, falo cultural, social, de muitas outras possibilidades e dimensões”, reforçou a cofundadora do Festival de Arte Urbana da Covilhã, no distrito de Castelo Branco.

O Wool tem também previsto duas residências artísticas com as cantoras Bia Maria e Surma, além de miniconcertos.

Bia Maria vai trabalhar com o Coro Viés – Vozes em Intervenção e Surma prepara-se para recolher sonoridades locais para incorporar no espetáculo que vai dar no festival, numa experiência de imersão e de interação com entidades locais.

“Por um lado, estamos a desafiar o artista a conhecer o território onde vai trabalhar. Por outro, temos uma comunidade que é acolhida e que participa numa experiência, o que espoleta o sentimento de pertença, da valorização do que é nosso, dos nossos saberes, do nosso património”, acentuou Lara Seixo Rodrigues.

Uma das novidades da última edição, a Rua Wool, um dia de várias atividades no centro histórico da Covilhã, “será uma continuidade e reforço daquilo que foi feito e experimentado no ano passado”, explicou a cofundadora do Wool.

Para abordar a efemeridade dos murais, alguns desaparecidos recentemente, devido a intervenções nos edifícios onde se encontravam, o artista Umbra apresenta uma instalação com recurso à manipulação de imagens.

Durante o festival é apresentado o resultado da peça comunitária “Todos somos o outro”, a ser executada desde abril em várias freguesias do concelho e em muitas instituições, tal como pela comunidade em geral, que pode pedir o ‘kit’ para preencher um quadrado de 30 por 30 centímetros para juntar à obra final.

“O valor simbólico é colocarmo-nos na pele do outro, é promover a empatia, a inclusão, o encontro, o reconhecimento uns dos outros, para nos aproximar. Cada um contribui da sua forma, com a sua velocidade, com o seu espaço, para criar uma peça que é de todos”, vincou Lara Seixo Rodrigues.

Notícias do Centro | Lusa

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