Diversas entidades ligadas aos 17 municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP) começaram hoje a preparar, em São João da Madeira, uma “carta metropolitana da cultura”, que visa projetos comuns até 2030 e um orçamento reforçado.
Promovido pela AMP, em parceria com o referido município do distrito de Aveiro, o encontro na Casa da Criatividade reúne cerca de 120 participantes com influência na definição dessa estratégia, entre os quais autarcas, técnicos superiores, agentes culturais e investigadores.
O secretário executivo da AMP João Carapeto disse à Lusa que o objetivo é “definir um conjunto de princípios que permitam chegar a uma estratégia comum para a cultura do território metropolitano, o que, nesta fase, implica colocar os 17 municípios a discutir o que querem efetivamente a esse nível”, para, em seguida, se delinear um documento concreto que todos possam ratificar até ao final de 2022.
O responsável defendeu que, em termos culturais, “já muito se tem feito” no território da AMP por iniciativa dos seus 17 membros, mesmo que isso passe despercebido à generalidade do público “por ainda não ser forte o sentido de pertença à identidade metropolitana”, mas afirmou que há margem para “reforçar o trabalho em rede, procurando assegurar uma oferta que contribua muito mais para as comunidades e para o enriquecimento das pessoas”.
Isso poderá passar, antecipou João Carapeto, por “uma inventariação profunda do que são os agentes culturais em cada município, um levantamento de instalações e equipamentos culturais já existentes, uma atualização do inventário do património de todo o território e mais trabalho com as comunidades desfavorecidas, que normalmente não tem acesso à cultura”.
Financeiramente, o secretário da AMP reconhece que o território “tem muitas vezes feito omeletes sem ovos – graças, por exemplo, a alguma boa vontade, à negociação com os municípios e à contratação de empresas que, tendo muita experiência, praticam preços mais razoáveis” –, mas acredita que a rede saberá ultrapassar os tempos de crise que a conjuntura atual faz antever.
“Comparativamente ao orçamento do país, já ultrapassámos há bastante tempo a fasquia do 1% para Cultura e o nosso objetivo é reforçar esse valor, até porque trabalhar em rede para 17 municípios em simultâneo não pode fazer-se com orçamentos demasiado baixos. (…) Não podemos ter medo de gastar dinheiro porque ele existe precisamente para isso: no fim de uma pandemia e a meio de uma guerra, a cultura e a arte podem e devem servir para nos ajudar a conviver com essas realidades de uma maneira mais sã”, declarou.
O técnico superior de Cultura na mesma estrutura José Marques Moreira apontou como bons exemplos do trabalho em rede desenvolvido nos últimos anos em território metropolitano os programas “Mater 17”, “Sons no Património” e ainda o “Holograma”, em parceria com a Casa da Música.
O encontro de hoje em São João da Madeira reflete assim “a necessidade de parar um bocadinho e pensar, balizando também os resultados desses projetos e definindo o que os 17 municípios querem para o futuro”.
Do evento deverá sair o que o técnico superior classifica como uma “versão zero da Carta Metropolitana da Cultura”, após o que esse documento circulará em cada concelho da AMP “para discussão mais focada com os agentes de cada município, antes de todos os envolvidos se voltarem a reunir, ainda em 2022, para verificar a versão definitiva e ratificá-la”.
Nesse esforço de concertação, as dificuldades antecipadas são algumas, mas José Marques Moreira atribui-lhes um aspeto positivo: “A AMP agrega 17 municípios que compõem um território bastante diverso e assimétrico, mas, também por isso, bastante rico e particularmente desafiante em termos de trabalho em rede”.













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