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Captação de água para regadio Gardunha Sul pode comprometer abastecimento público

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A captação de água para o Regadio Gardunha Sul pode pôr em causa o fornecimento a 65 mil habitantes da Beira Baixa, alerta a plataforma de Defesa da Albufeira de Santa Águeda/Marateca.

“O consumo anual do abastecimento público (Castelo Branco e outros concelhos) cifra-se atualmente em 6,5 hectómetros cúbicos por ano e o que está previsto gastar com o regadio a partir de Santa Águeda são oito hectómetros cúbicos por ano, quando o projeto estiver a funcionar em pleno”, afirma, em comunicado hoje divulgado, a plataforma que congrega várias associações ambientalistas e coletividades.

O Aproveitamento Hidroagrícola da Gardunha Sul – Bloco da Marateca integra o Programa Nacional de Regadios (PNRegadios) desde 2021, quando o Governo anunciou 50 milhões de euros para este programa beneficiar cerca de 13 mil hectares.

Em outubro de 2022, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, disse que a construção deste regadio estava em avaliação de condicionantes.

Este regadio, que abrange os concelhos de Castelo Branco e Fundão, numa área conjunta de 2.000 hectares prevê a captação de água na albufeira de Santa Águeda.

Segundo a plataforma, com este regadio, regista-se um aumento do consumo anual de água da albufeira “de 19% para 42,4% da capacidade máxima da albufeira e de 24% para 53% do escoamento hídrico médio anual (corrigido da evaporação na própria albufeira)”.

Adianta ainda que, “em anos de seca cada vez mais gravosos, poderá pôr em causa esta captação essencial para o fornecimento de água potável a 65.000 habitantes da Beira Baixa”.

A albufeira de Castelo Branco armazena, quando cheia, 34,2 hectómetros cúbicos de água.

A plataforma refere que tomou conhecimento da posição do Ministério da Agricultura e Alimentação em não admitir a construção de uma barragem de apoio à albufeira de Santa Águeda, para servir o projeto do regadio da zona sul da Gardunha, “contrariando a posição assumida pelo atual presidente da Câmara de Castelo Branco, que disse não poder tomar uma decisão que possa pôr em causa a curto, médio ou longo prazo o fornecimento de água para consumo humano ao concelho de Castelo Branco”.

Adiantam também que o autarca garantiu que a Câmara de Castelo Branco “só dará aval ao projeto quando houver uma garantia de concretização da barragem do Barbaído”.

“Assim, e em aditamento a algumas posições públicas de especialistas na matéria, que já realçaram os impactos ambientais negativos e o previsível aumento dos custos de tratamento da água da albufeira, subscrevemos a posição do atual executivo [do município de Castelo Branco]”, afirma a plataforma.

A albufeira de Santa Águeda/Marateca é uma albufeira protegida de abastecimento público de água, que possui um Plano de Ordenamento (Resolução 107/2005 do Conselho de Ministros), em vigor desde junho de 2005, no qual estão definidas várias faixas de proteção com o respetivo zonamento de forma a salvaguardar a integridade e qualidade do local e, consequentemente, da água de abastecimento público.

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