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Cadeiral do Mosteiro de Arouca recebe Ciclo Ibérico de Órgão em setembro

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O cadeiral barroco do Mosteiro de Arouca acolhe em setembro quatro concertos gratuitos do Ciclo Ibérico de Órgão, apostado em divulgar música dos séculos XVI e XVII para órgãos de tubos como o instalado nesse monumento nacional.

Organizada pela Real Irmandade Rainha Santa Mafalda, a segunda edição do evento do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto arranca no dia 01 e prolonga-se pelos três domingos seguintes, com performances marcadas sempre para as 16:00 e interpretadas por músicos portugueses, mas apresentando repertório também espanhol, italiano, neerlandês e alemão.

O objetivo é dar a conhecer obras especificamente concebidas para o órgão ibérico, que, embora mais pequeno do que o seu congénere alemão, se afirmou a partir do século XVI pela singularidade sonora e mecânica introduzida pela colocação de palhetas horizontais na fachada do instrumento, dada a projeção que esses tubos proporcionavam à melodia.

O primeiro concerto estará a cargo de Daniel Ribeiro, que, após um mestrado em música sacra, outro em performance musical e um terceiro em ensino de música, é atualmente professor no Conservatório de Barcelos e na Escola de Música Litúrgica de São Frutuoso de Braga.

A Arouca esse organista levará assim obras de Manuel Rodrigues Coelho, F. Correa de Arauxo, J. P Sweelinck, Pablo Bruna, Sebastián Durón, J. Jakob Froberger, G. Frescobaldi e José Lidón.

Já no dia 08, o instrumento de 1.352 tubos do Mosteiro de Arouca será executado por Rafael Reis, organista titular na Sé de Évora e diretor artístico do festival internacional de órgão dessa cidade.

Diplomado pela Academia Internacional de Música para Órgão San Martino, em Bolonha, o organista é atualmente investigador e doutorando bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia, na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde está a desenvolver uma tese sobre o património organístico material e imaterial de Évora.

Para Arouca escolheu obras de 10 compositores que refletem o contraste entre “Stile Antico e Novo Estilo” na música instrumental para órgão em Portugal.

O terceiro concerto proposto pela Real Irmandade, por sua vez, será protagonizado por Nuno Oliveira, organista, pianista, cravista e fundador do coletivo Avres Serva, com o qual dirigiu a estreia portuguesa da Oratória de São João Baptista por Alessandro Stradella.

Com formação em Lisboa, Haia e Amesterdão, o músico tem um longo currículo de atuações em Portugal e no estrangeiro, gravou trabalhos para edição discográfica, em rádio e em televisão, e leva agora a Arouca quatro compositores do Barroco: Jose Lidón, Antonio de Cabezón, Francisco Correa de Arauxo e Juan Cabanilles.

Para o encerramento, o II Ciclo Ibérico de Órgão escolheu Paulo Bernardino, investigador, maestro, compositor, pianista e organista titular tanto do próprio Mosteiro de Arouca como da Sé Catedral de Coimbra e da Capela da Universidade de Coimbra.

Com um doutoramento em Direção Coral e de Orquestra pela Universidade de Aveiro, uma licenciatura em Música Sacra pela Universidade Católica Portuguesa e outra em Engenharia Eletrotécnica pela Universidade de Coimbra, o músico tem mais de 10 discos gravados, vem atuando em diversos países e dirige vários coletivos musicais no Norte e Centro do país.

Ao cadeiral, Paulo Bernardino levará um conjunto de composições que, sob a temática “Salve Regina, Mater Dei”, dará a conhecer Girolamo Frescobaldi, Pablo Bruna, Heliodoro de Paiva, Manuel Rodrigues Coelho e Gaspar dos Reis – assim como um hino da sua própria autoria.

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