A Real Irmandade Rainha Santa Mafalda lança a 20 de agosto o seu primeiro ciclo ibérico de órgão de tubos, que, até setembro, levará ao cadeiral do Mosteiro de Arouca quatro concertos gratuitos por músicos de Portugal e Espanha.
Na sua edição de estreia, o denominado Ciclo Ibérico de Órgão Rainha Santa Mafalda tem coordenação do músico Paulo Bernardino, que, sendo o organista titular do referido monumento do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto, revelou que o repertório selecionado para os quatro espetáculos vai apostar em composições concebidas entre os séculos XVI e XVIII.
Foi nesse período que o órgão ibérico, mais pequeno que o seu congénere alemão, se afirmou pelas suas singularidades mecânicas e sonoras, nomeadamente pela introdução de registos de palheta em tubos colocados horizontalmente na fachada do órgão, na posição dita “de chamada”.
O organeiro basco Joseph Echevarria foi o primeiro a utilizar essa técnica no instrumento que construiu em 1659 para o Convento de San Diego, em Alcalá de Henares, e essa inovação rapidamente se disseminou por toda a Península Ibérica, pelo que “o uso de palhetas em ‘chamada’ transformou-se numa das mais idiomáticas expressões do órgão ibérico”.
Paulo Bernardino nota, aliás, que esse mecanismo passou a ser um recurso frequente nas chamadas “batalhas”, obras que, com os seus efeitos sonoros, procuram retratar os confrontos do combate entre o Bem e o Mal, segundo a doutrina da Contrarreforma.
É esse património cultural e musical que o organista do Mosteiro de Arouca se propõe agora recuperar e divulgar no ciclo de quatro concertos: “Tratando-se de um instrumento paradigmático da organaria luso-espanhola, o tema deste primeiro ciclo incidirá exclusivamente sobre o repertório que lhe é próprio e foram convidados os organistas que, na nossa península, são considerados cimeiros na arte de tanger o órgão e especialistas no repertório ibérico”.
O primeiro intérprete é o próprio Paulo Bernardino, que, no próximo dia 20, dará a conhecer nove obras de diferentes compositores, como António Correa Braga e Jusepe Ximénez.
O segundo espetáculo será protagonizado pela organista espanhola Marisol Mendive, que integrou a equipa interdisciplinar que procedeu à catalogação dos órgãos da Galiza e desenvolve atualmente o projeto “Concertos de órgãos didáticos para crianças em idade escolar”, que, desde 2009, já levou mais de 12.000 estudantes do ensino secundário ao Mosteiro de San Salvador de Celanova.
A 03 de setembro o concerto no Mosteiro de Arouca será por Rui Fernando Soares e abordará um repertório com compositores como Pedro de Araújo e Andres de Sola.
A última performance da edição de estreia do Ciclo Ibérico de Órgão Rainha Santa Mafalda estará a cargo de João Santos, que, tendo tocado oito anos no Santuário de Fátima, é desde 2007 o organista titular da Catedral de Leiria e integra desde 2018 a equipa de músicos responsável pelos concertos a seis órgãos na Basílica do Palácio Nacional de Mafra.













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