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Pedrógão Grande: Associação de vítimas pede mais prevenção e vigilância

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A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) pede mais prevenção e vigilância, quando passam nove anos dos incêndios que provocaram dezenas de mortos e feridos, além da destruição de casas, empresas e floresta.

“Tem de haver este esforço contínuo de todos e, acima de tudo, também olharmos para uma prevenção e uma preparação das populações”, afirmou à agência Lusa Dina Duarte.

Por outro lado, a dirigente salientou que “a população precisa de ser capacitada, precisa de ser formada, no sentido de saber como agir numa questão de um incêndio ou de uma calamidade”, como a recente depressão Kristin, em 28 de janeiro, que atingiu gravemente a Região de Leiria.

A este propósito, observou que “ainda há muitas árvores caídas no território” e “não será fácil ser feita uma limpeza no devido tempo”.

Abordando a necessidade da limpeza dos terrenos, mas alertando que “não há capacidade económica para as pessoas continuarem a fazer este esforço”, Dina Duarte destacou a importância deste trabalho para se prevenir um mal maior.

“Deve haver por parte das autoridades competentes uma preocupação em que, efetivamente, haja uma separação entre a parte florestal e a parte da aldeia ou parte da cidade, para que haja um ponto de calmaria do incêndio e, de certa forma, também uma possibilidade de um combate mais eficaz e efetivo junto às casas”, referiu.

Pedindo ao Governo para que “continue a ser dado um grande relevo na questão da prevenção, na limpeza” dos terrenos, Dina Duarte frisou que, se tal não suceder, “quando chega um incêndio, se não for combatido numa primeira fase, com os níveis de calor, com os ventos que se adivinham logo que vêm, é sempre muito difícil depois o combate”.

“Por isso, é reforçar, efetivamente, a questão do combate e da vigilância. Eu creio que tem de haver uma vigilância efetiva e eficaz”, preconizou.

Neste último aspeto, a presidente da AVIPG alertou para a relevância da cidadania.

“Se considerar que há algo estranho, que alguém que está num determinado local ou que vê um objeto que não é normal que esteja no meio da floresta, como cidadãos também deveremos ter esta capacidade de fazer chegar a nossa mensagem do que é diferente e que deve ser tido em linha de conta”, apelou.

Na quarta-feira, a AVIPG assinala, como habitualmente, mais um aniversário da tragédia de Pedrógão Grande.

A sede da associação, na antiga escola primária da Figueira, freguesia da Graça (Pedrógão Grande), abre às 16:00.

Pelas 17:45, decorre uma homenagem no Memorial às Vítimas dos Incêndios, seguindo-se uma missa, na Igreja Paroquial de Vila Facaia, também no concelho de Pedrógão Grande.

Já no domingo, a AVIPG promove mais uma “Caminhada Renascer”, com saída às 09:30 da sua sede.

Os incêndios que deflagraram em 17 junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

Em outubro do mesmo ano, incêndios na região Centro provocaram 49 mortos e cerca de 70 feridos, registando-se ainda a destruição, total ou parcial, de cerca de 1.500 casas e mais de 500 empresas.

O memorial abriu em 15 de junho de 2023, junto à Estrada Nacional 236-1, na zona de Pobrais, Pedrógão Grande, com o nome das 115 vítimas mortais dos fogos naquele ano.

Nesta estrada, foi encontrada a maioria das vítimas mortais dos incêndios de junho de 2017.

Notícias do Centro | Lusa

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