Leiria

Pedrógão Grande: Autarcas preocupados com impacto das tempestades de inverno

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 Autarcas de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, os concelhos mais afetados pelos incêndios de junho de 2017, que provocaram dezenas de mortos, manifestam preocupação com o impacto no verão das tempestades de inverno.

“Olho para o território com muita preocupação, porque depois do comboio de tempestades, a queda de árvores e a quantidade de biomassa que existem neste momento na floresta tornam-na suscetível de acontecer uma desgraça idêntica àquilo que já aconteceu no passado”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, João Marques.

Referindo não haver tempo para retirar “toda a madeira e biomassa” existentes originadas, em particular, pela depressão Kristin, em 28 de janeiro, que atingiu gravemente a Região de Leiria, João Marques alertou também para a inexistência de mão-de-obra, nem outros meios.

O autarca assegurou, contudo, que a desobstrução de caminhos florestais está feita, mas insistiu que “falta retirar a madeira, o combustível, a biomassa”.

No concelho vizinho de Figueiró dos Vinhos, o presidente do município, Carlos Lopes, partilhou igual preocupação.

“O problema é que o depósito [de lenha e resíduos] continua lá [na floresta] numa percentagem também bastante significativa. (…) Isso é motivo de grande apreensão”, assumiu Carlos Lopes, considerando que o território tem “um barril de pólvora que, eventualmente, pode contribuir para algum desassossego”.

O autarca salientou que a Câmara “tem, nos últimos anos, procurado contribuir para a minimização do risco”, trabalhando na prevenção estrutural, incluindo a desobstrução de caminhos e estradas florestais ou a implementação dos Condomínios de Aldeia, programa de valorização da paisagem e proteção contra incêndios em territórios vulneráveis de floresta.

“A Câmara Municipal estava a fazer este trabalho que é estruturante e, ao mesmo tempo, que é decisivo para podermos encarar qualquer época de incêndios florestais de uma forma tranquila, até que fomos confrontados com esse monstro”, como Carlos Lopes designou a depressão Kristin, em 28 de janeiro.

O presidente de Figueiró dos Vinhos reconheceu que, “desde então, tem sido o trabalho de voltar quase à estaca zero”, para ter condições de encarar o verão com “maior resistência”, numa ação com o apoio de várias entidades.

Também o presidente da Câmara de Castanheira de Pera subscreveu idêntica preocupação.

“Onde tínhamos feito intervenções, agora deixámos de ter matos para ter floresta do chão”, afirmou, notando que se existia “alguma dificuldade de mão-de-obra antes da tempestade” para executar os projetos da autarquia na floresta, “essa dificuldade agora acentuou-se”, até porque “a floresta também ficou muito mais danificada”.

Para António Henriques, a principal preocupação é “a massa combustível que neste momento está dentro da floresta destruída, que possa criar ignições muito mais rápidas, com muito mais intensidade”.

Nesse sentido, o presidente do Município de Castanheira de Pera defendeu ser necessário um reforço na vigilância, colocando meios no terreno, para que, “o mais rapidamente possível, sempre que exista uma ocorrência”, se possa atuar.

“Concretamente em Castanheira de Pera, vamos reforçar as equipas de vigilância com várias equipas municipais em função das necessidades do dia-a-dia, porque as condições climatéricas, assim o vão exigir”, antecipou.

Em 17 junho de 2017, completam-se na quarta-feira nove anos, os incêndios que deflagraram em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves.

Os fogos, extintos cinco dias depois, destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

Notícias do Centro | Lusa

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