Desenvolver ingredientes bioativos sustentáveis para a indústria cosmética a partir de plantas costeiras da costa atlântica do sul da Europa, através de um processo biotecnológico inovador que assegura qualidade consistente, rastreabilidade e sustentabilidade, é o objetivo da Salinexis, startup de biotecnologia que venceu o concurso regional da 22ª edição do Poliempreende no Politécnico de Leiria, realizado no dia 11 de junho. O projeto vai agora representar a instituição na final nacional, que se realiza na Universidade do Algarve, no dia 3 de setembro.
Numa fase inicial, o projeto centra-se no funcho-marinho (Crithmum maritimum), uma espécie com elevado potencial para aplicação em produtos cosméticos, respondendo à crescente procura do mercado por ingredientes naturais, sustentáveis e suportados por evidência científica.
A inovação do projeto Salinexis assenta numa tecnologia própria de cultivo celular vegetal, designada SalinCell™, que permite produzir biomassa e compostos bioativos de forma controlada, assegurando elevados níveis de qualidade, rastreabilidade e consistência entre lotes. Esta abordagem reduz a dependência da colheita selvagem e da sazonalidade dos recursos naturais, contribuindo para uma produção mais sustentável e escalável de ingredientes destinados à indústria cosmética.
A equipa da ‘Salinexis’, constituída por Celso Alves e Joana Silva, investigadores do MARE – IPLeiria, por Thalisia Santos, investigadora visitante do MARE – IPLeiria, e por Diogo Cardoso, estudante de Biotecnologia da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), recebeu um prémio monetário no valor de 2.000 euros.
Em segundo lugar no concurso regional ficou o projeto ‘BiopolyTech’, que pretende transformar biomassa de algas invasoras recolhidas na costa ibérica em biomateriais sustentáveis para a indústria das embalagens alimentares. Através de um processo biotecnológico inovador, converte esta biomassa em bioplásticos biodegradáveis, criando uma solução que contribui simultaneamente para a valorização de resíduos marinhos e para o desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis aos plásticos convencionais.
Desenvolvido por João da Costa, bolseiro de investigação do MARE – IPLeiria, o projeto conquistou um prémio de 1.500 euros.
Já o terceiro prémio, no valor de 1.000 euros, foi atribuído ao AquaLab, uma solução inovadora de monitorização inteligente da qualidade da água, baseada em sensores IoT e numa plataforma digital de análise de dados em tempo real. O projeto integra duas linhas principais: AquaDrones, drones aquáticos autónomos para monitorização de rios, barragens, portos e zonas costeiras; e AquaBox, solução fixa e compacta para tanques, aquaponia, hidroponia, agricultura e aquicultura.
O projeto responde à ineficiência dos métodos tradicionais de monitorização, atualmente caros, lentos e incapazes de fornecer informação contínua e preventiva. A solução combina sensores ambientais modulares, transmissão remota de dados, monitorização automatizada e ferramentas de análise com apoio de IA, permitindo deteção precoce de poluição e apoio à tomada de decisão ambiental.
A equipa do AquaLab é constituída por Guilherme Cruz, estudante de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), e por Gonçalo Ferreira e Dinis Roxo, diplomados de Engenharia Informática da ESTG.
Na edição de 2026 do concurso regional do Poliempreende foram apresentados seis projetos, desenvolvidos por 13 participantes, entre estudantes, diplomados, docentes, investigadores e elementos externos.
Esta edição voltou a contar com o apoio da Startup Leiria, que esteve ativamente envolvida na organização do evento e disponibilizou mentoria especializada para apoiar o desenvolvimento dos projetos, acompanhamento esse que se prolongará nas fases subsequentes ao concurso regional. O contributo da Startup Leiria materializou-se também na integração do júri do concurso, através do seu administrador, João Mota. A iniciativa contou ainda com a colaboração da NERLEI, representada pelo seu diretor executivo, Henrique Carvalho, reforçando o compromisso destas entidades com a promoção do empreendedorismo e o desenvolvimento de iniciativas inovadoras na região.
O Poliempreende é o maior projeto, em rede, de instituições de ensino superior (politécnicos, escolas superiores não integradas e escolas politécnicas das universidades), que pretende fomentar a cultura empreendedora, a promoção da criatividade e de ideias inovadoras, valorizando o conhecimento criado por todos os que participam. Ao longo das várias edições do Poliempreende, o Politécnico de Leiria contou já com perto de 900 participantes e cerca de 71.500 euros de prémios atribuídos.












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